Economia

Construcarta Conjuntura: Caindo para o alto

A “queda para o alto” pode gerar especulações quanto à necessidade de um ciclo mais forte de elevação nas taxas de juros.

Por Redação SindusCon-SP 19/02/2021 08:51:20

Diante da aprovação no Legislativo da chamada autonomia do Banco Central, compreender a dinâmica da política monetária e seus reflexos sobre o ambiente empresarial se tornou algo ainda mais relevante. E, neste início de ano, o comportamento do indicador oficial do regime de metas para a inflação, o IPCA, está gerando sinais aparentemente contraditórios.

Como sempre, o foco é a meta inflacionária, cujo centro, definido para 2021, é de 3,75%. Isso significa que o Bacen deverá manejar a Selic de modo a que, no acumulado do ano, a alta do IPCA esteja o mais próximo possível desse alvo. Desde meados do segundo semestre de 2020, esse indicador de inflação vem subindo. No acumulado em 12 meses, passou de 1,88% em maio para 4,56% em janeiro. A pergunta relevante diante dessa alta é se ela configura uma tendência ou é uma aceleração passageira. Afinal, se a inflação apontar para o patamar de 5% até o final do ano, o Bacen deveria elevar a Selic, causando impactos relevantes para a oferta de crédito e o financiamento de empresas e famílias.

Uma forma de avaliar o comportamento do IPCA é acompanhar os chamados “núcleos de inflação”, indicadores que, dentre outros métodos, descartam as altas de preços supostamente atípicas, os chamados choques temporários. Segundo o IPEA, esses núcleos se situaram nos últimos três meses em torno de 0,5% ao mês com tendência de baixa.

Assim, supondo que a inflação se acomode em torno do núcleo daqui até dezembro e o IPCA tenha altas mensais de 0,3% —abaixo da média dos últimos meses — teremos uma queda das variações no comparativo mês a mês, mas a inflação acumulada em 12 meses continuará a aumentar até agosto. Isso ocorreria por conta dos níveis muito baixos das altas mensais no primeiro semestre de 2020.

Essa “queda para o alto” pode gerar especulações quanto à necessidade de um ciclo mais forte de elevação nas taxas de juros. No entanto, nesse mesmo cenário, o IPCA encerraria o ano de 2021 com alta acumulada de 3,6%, ou seja, muito próximo do centro da meta. E se a acomodação inflacionária entre fevereiro e dezembro se desse um pouco acima, com altas de 0,35% ao mês, ainda assim o IPCA fecharia o ano em 4,2%, dentro do intervalo de tolerância que é de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos em relação à meta de 3,75%.

Mas este não é um cenário, apenas um exercício imaginativo que deve servir de referência e alerta para o acompanhamento do que realmente ocorrerá com a inflação e os juros nos meses à frente. Vale notar que no relatório Focus do Bacen de 12 de fevereiro, as projeções de mercado apontavam um IPCA de 3,62%, abaixo da meta. No entanto, elas estão sendo revistas para cima já há seis semanas.

A íntegra da análise realizada pela FGV em parceria com o SindusCon-SP está disponível aqui.









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