Vendas e lançamentos caem em novembro na cidade de São Paulo

Rafael Marko

Por Rafael Marko

Vendas e lançamentos caem em novembro na cidade de São Paulo

 

No entanto, o volume atingido em 11 meses supera os resultados de 2020, segundo o Secovi-SP 

Um total de 4.909 unidades residenciais novas foi comercializado em novembro de 2021 na cidade de São Paulo, de acordo com a pesquisa mensal do Secovi-SP (Sindicato da Habitação). O resultado foi 11,6% menor que as 5.555 unidades vendidas em outubro, mas 13,3% superior às vendas de 4.331 unidades em novembro de 2020. 

“Pode-se considerar um bom resultado, pois está acima da média histórica para o mês de novembro, de 3 mil unidades. Os produtos que contribuíram para esse resultado positivo foram os imóveis de 2 dormitórios na faixa de 30 m² a 45 m² de área útil”, comenta Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP. 

No acumulado de 12 meses até novembro de 2021, as 66.271 unidades comercializadas representaram um aumento de 33,6% em relação ao mesmo período anterior, quando foram negociadas 49.598 unidades. 

Em novembro de 2021, foram lançadas 6.297 unidades residenciais na capital paulista, 8,4% menos que em outubro (6.876 unidades), mas 34% acima do apurado em novembro de 2020 (4.698 unidades).  

No acumulado de 12 meses até novembro de 2021, os lançamentos totalizaram 85.320 unidades, 70,3% acima das 50.097 unidades lançadas no mesmo período anterior. 

Para Basilio Jafet, presidente do Secovi-SP, em 11 meses o mercado imobiliário da capital paulista superou o total de unidades lançadas e comercializadas em 2020. “Esse resultado é bastante positivo e mostra a capacidade de reorganização do setor, que manteve sua atuação em dois anos de pandemia e colaborou fortemente com a economia do país e a geração de empregos.”  

Para Jafet, esse desempenho poderia ter sido muito melhor. “As empresas sentiram os expressivos aumentos dos custos de produção, que foram inevitavelmente repassados para os imóveis. Ficou restrito o acesso à casa própria, num momento em que a ressignificação da moradia aumentou a demanda.” 

VGV e VSO 

O VGV (Valor Global de Vendas) na cidade de São Paulo totalizou R$ 2,806 bilhões em novembro, resultado praticamente estável (-0,2%) em relação a outubro de 2021, mês em que foram comercializados R$ 2,812 bilhões, e 10,9% superior ao de novembro de 2020 (R$ 2,5 bilhões), em valores atualizados pelo INCC-DI de novembro de 2021. 

O indicador VSO (Vendas Sobre Oferta), que apura a porcentagem de vendas em relação ao total de unidades ofertadas, atingiu 8,2% em novembro de 2021, ficando abaixo do registrado no mês de outubro (9,3%), e também de novembro de 2020 (11,6%). 

O VSO de 12 meses até novembro de 2021 fechou em 55,9%, ficando abaixo dos 59,4% referentes ao período de dezembro de 2019 a novembro de 2020, e dos 56,4% do período imediatamente anterior. 

Oferta 

A capital paulista encerrou novembro com a oferta de 55.245 unidades disponíveis para venda. A quantidade de imóveis ofertados aumentou 2,3% em comparação a outubro (54.010 unidades) e foi 66,9% superior ao volume de novembro de 2020 (33.097 unidades). Esta oferta é composta por imóveis na planta, em construção e prontos (estoque), lançados nos últimos 36 meses. 

Em novembro de 2021, o VGO (Valor Global da Oferta) totalizou R$ 30,9 bilhões, resultado 68,1% superior ao de novembro de 2020 (R$ 18,4 bilhões) e 3,5% acima ao registrado em outubro de 2021 (R$ 29,9 bilhões) – valores atualizados pelo INCC-DI de novembro. 

Área útil e preços 

Imóveis na faixa de 30 m² e 45 m² de área útil lideraram em quase todos os indicadores: vendas (2.514 unidades), VGV (R$ 677,8 milhões), lançamentos (2.362 unidades), oferta (26.166 unidades) e VGO (R$ 6,7 bilhões). O maior VSO (13,6%) foi registrado nos imóveis com mais de 180 m² de área útil. 

Por faixa de preço, os imóveis com valores entre R$ 240 mil a R$ 500 mil lideraram em vendas (1.880 unidades), lançamentos (2.869 unidades) e maior VSO (8,8%). Imóveis com preços de até R$ 240 mil lideraram com os melhores indicadores de oferta final (20.377 unidades), e os imóveis com preços acima de R$ 1,5 milhão obtiveram maior VGO (R$ 10,8 bilhões) e maior VGV (R$ 1,1 bilhão). 

A região Sul liderou em vendas (1.550 unidades), oferta (21.277 unidades) e maior VGO (R$ 13,4 bilhões). A zona Oeste destacou-se com a maior quantidade de imóveis lançados (2.091 unidades) e VGV (R$ 1,1 bilhão). O maior VSO (12,9%) foi do Centro. 

Casa Verde e Amarela e MAP 

Em novembro de 2021, 2.068 unidades vendidas e 1.125 unidades lançadas foram enquadradas como econômicas, nos critérios do Programa Casa Verde e Amarela. A oferta desse tipo de imóvel totalizou 23.491 unidades disponíveis para venda, com VSO de 8,1%. 

No segmento de mercado de médio e alto padrão (MAP), a pesquisa identificou 2.841 unidades vendidas, 5.172 unidades lançadas, oferta final de 31.754 unidades e VSO de 8,2%. 

As unidades MAP lançadas corresponderam a 82% do total lançado no mês. “A redução da participação dos imóveis econômicos nos lançamentos é reflexo do aumento dos custos de produção e da inflação em dois dígitos. A necessidade de repasse desses custos aos preços do imóvel inviabilizou muitos projetos, e houve casos de incorporadoras devolverem terrenos pela falta de condições de realizar os empreendimentos. A inflação mais alta acarretou aumento na taxa de juros, encarecendo a prestação do financiamento, e tornando a unidade menos acessível”, comenta Emilio Kallas, vice-presidente de Incorporação e Terrenos Urbanos do Secovi-SP. 

Perspectivas para 2021 

Com os resultados apresentados em novembro de 2021, as perspectivas de fechamento do ano do Secovi-SP ficaram praticamente inalteradas, com lançamentos entre 70 mil e 75 mil unidades, equivalente ao crescimento entre 17% a 25%, respectivamente, em relação a 2020. Para vendas, a previsão é que sejam comercializadas de 60 mil a 65 mil unidades, com variação de 17% a 26% frente à comercialização do ano anterior. 

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