Vendas de imóveis novos caem em julho na cidade de São Paulo 

Rafael Marko

Por Rafael Marko

Vendas de imóveis novos caem em julho na cidade de São Paulo 

Um total de 5.373 unidades residenciais novas foi vendido em julho na cidade de São Paulo, 21,4% a menos que em junho (6.837 unidades), e 23,8% acima das 4.341 unidades comercializadas em julho de 2020. O levantamento é do Secovi-SP (Sindicato da Habitação)

No acumulado de 12 meses até julho, as 65.487 unidades comercializadas representaram um aumento de 38,6% em relação ao mesmo período anterior, quando foram negociadas 47.237 unidades.

Em julho, foram lançadas 6.934 unidades residenciais, volume estável (-0,1%) em relação a junho (6.940 unidades) e 165,3% superior ao apurado em julho de 2020 (2.614 unidades).

No acumulado de 12 meses até julho, os lançamentos somaram 81.827 unidades, ficando 53,9% acima das 53.171 unidades lançadas no mesmo período anterior.

Análises 

Na avaliação de Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, “o segundo semestre iniciou com bons resultados e tende a manter o ritmo de crescimento até o final deste ano. O desempenho continua sendo motivado pelas boas condições oferecidas para aquisição de imóveis, ou seja, produtos certos, recursos para financiamento imobiliário e juros ainda em patamares baixos.”

Para Basilio Jafet, presidente do Secovi-SP, o cenário político tem interferido no ambiente de negócios, podendo colocar em risco a recuperação do País. “Não conseguiremos avançar rumo à estabilidade e ao crescimento econômico enquanto não caminharem a reforma administrativa, principalmente, e uma correta reforma tributária que não inviabilize as atividades produtivas”.

Emilio Kallas, vice-presidente de Incorporação e Terrenos Urbanos da entidade, chama a atenção para a escassez de terrenos viáveis para novos empreendimentos na cidade de São Paulo, fator que pode influenciar diretamente no aumento dos preços dos imóveis e na diminuição de lançamentos. “Esta situação é crítica para o setor e pode prejudicar as famílias que pretendem comprar, futuramente, o primeiro imóvel. Há muito tempo alertamos para o caráter restritivo deste Plano Diretor atual”, diz.

VGV e VSO 

O VGV (Valor Global de Vendas) de julho atingiu R$ 2,4 bilhões, resultado 23,8% abaixo do registrado em junho (R$ 3,2 bilhões) e 6,2% inferior ao volume percebido em julho de 2020 (R$ 2,6 bilhões) – valores atualizados pelo INCC-DI (Índice Nacional de Custo da Construção) de julho de 2021.

O indicador VSO (Vendas Sobre Oferta), que apura a porcentagem de vendas em relação ao total de unidades ofertadas, atingiu 10,2% em julho, ficando abaixo dos resultados do mês anterior (13,1%) e de julho de 2020 (12,9%).

O VSO de 12 meses até julho foi de 59%, ligeiramente abaixo dos 59,3% do período imediatamente anterior e dos 60,7% do acumulado de agosto de 2019 a julho de 2020.

Oferta 

A capital paulista encerrou o mês de julho com a oferta de 47.054 unidades disponíveis para venda, o que corresponde a nove meses de produção imobiliária. A quantidade de imóveis ofertados aumentou 3,5% em relação a junho (45.446 unidades) e 59,9% acima do volume de julho de 2020 (29.435 unidades). Esta oferta é composta por imóveis na planta, em construção e prontos (estoque), lançados nos últimos 36 meses até julho.

O VGO (Valor Global da Oferta) totalizou R$ 25,3 bilhões em julho, resultado 8,1% superior ao de junho (R$ 23,4 bilhões) e 40,8% acima do de julho do ano passado (R$ 18,0 bilhões) – valores atualizados pelo INCC-DI de julho.

Dormitórios, área útil e preços 

Os imóveis de 2 dormitórios destacaram-se no mês de julho em todos os indicadores: vendas (3.198 unidades), oferta (26.724 unidades), lançamentos (3.398 unidades), maior VGV (R$ 1,03 bilhão), maior VGO (R$ 8,8 bilhões) e maior VSO (10,7%), resultado das 3.198 unidades comercializadas em relação aos 29.922 imóveis ofertados.

Imóveis na faixa de 30 m² e 45 m² de área útil lideraram em todos os indicadores: vendas (3.015 unidades), VGV (R$ 714,6 milhões), lançamentos (3.190 unidades), oferta (23.658 unidades), VGO (R$ 5,6 bilhões) e maior VSO (11,3%).

Por faixa de preço, os imóveis com valor de até R$ 240 mil lideraram com os melhores indicadores de vendas (2.624 unidades), oferta final (21.831 unidades) e lançamentos (3.299 unidades). Unidades na faixa de R$ 240 mil a R$ 500 mil registraram o maior VSO (11,4%), e os imóveis com preços acima de R$ 1,5 milhão obtiveram maior VGV (R$ 738,2 milhões) e maior VGO (R$ 9,2 bilhões).

A região Sul liderou nos seguintes indicadores: vendas (2.088 unidades), VGV (R$ 970,2 milhões), maior VGO (R$ 10,6 bilhões), maior quantidade de imóveis em oferta (18.322 unidades) e lançamentos (3.182 unidades). O Centro registrou o maior VSO (14,4%).

Econômicos e MAP 

Em julho deste ano, 2.796 unidades vendidas e 3.344 unidades lançadas foram enquadradas como econômicas. A oferta desse tipo de imóvel totalizou 23.204 unidades disponíveis para venda, com VSO de 10,8%.

No acumulado de 12 meses, foram lançadas 82 mil unidades e comercializadas 65 mil unidades econômicas, resultado que supera a média histórica de lançamentos (34 mil unidades) e de vendas (30 mil unidades).

O mercado imobiliário de São Paulo atinge esse patamar porque, desde 2016, vem atuando fortemente no segmento de imóveis econômicos. “Contudo, para manter esse desempenho, é necessário ajustar os limites de valor dos imóveis dentro do programa Casa Verde e Amarela. Quanto aos custos dos insumos, temos a expectativa que até o final do ano os aumentos fiquem próximos aos índices de inflação”, afirma Basilio Jafet, presidente do Secovi-SP.

No segmento de mercado de Médio e Alto Padrão (MAP), registraram-se 2.577 unidades vendidas, 3.590 unidades lançadas, oferta final de 23.850 unidades e VSO de 9,8%.

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