Uma ameaça à geração de empregos
Por Redação SindusCon-SP
Redução eleitoreira da escala 6×1 inibirá novas contratações na construção
A indústria da construção foi o segundo setor que mais criou empregos no país em julho: 12 mil novos postos de trabalho formais, 22% dos 58 mil gerados, segundo o Novo Caged. Mesmo assim, o ritmo de novas contratações vem desacelerando. No Estado de São Paulo, a construção fechou 1.000 vagas. Trata-se da terceira queda mensal consecutiva.
O fechamento de postos de trabalho no setor deverá se generalizar com a redução da escala de trabalho 6×1. Com a diminuição das horas trabalhadas, os custos do setor se elevarão e os prazos de entrega das obras deverão se estender, inibindo novas contratações de trabalhadores.
Esses custos seguem acima da inflação. Em agosto, o INCC-M (Índice Nacional de Custos da Construção) registrou alta de 0,85%, puxado justamente pelo aumento do custo com a mão de obra, de 1,56%. No acumulado de 12 meses, o aumento é de 6,56%. Na cidade de São Paulo, o Índice de Custos da Construção aumentou 1,10% no mês, acumulando 7,37% em 12 meses.
No primeiro semestre, os financiamentos habitacionais com recursos do FGTS e da Poupança da Caixa aumentaram 4,2% no país e 8,1% no Estado de São Paulo, na comparação com o mesmo período de 2025. O aumento de custos da construção derivado do fim da escala 6×1 será repassado aos preços dos imóveis, afastando potenciais adquirentes e diminuindo o volume de concessões de crédito imobiliário.
Por não comportarem reajuste, obras públicas de infraestrutura e do Programa Minha Casa, Minha Vida deverão sofrer paralisação e terem seus trabalhadores demitidos, se não houver o reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos dessas obras.
Sem um debate mais profundo, a redução da escala para servir a interesses eleitoreiros prejudicará a construção e sua capacidade de gerar empregos.