SindusCon-SP: vacinação é o melhor instrumento de política econômica 

Rafael Marko

Por Rafael Marko

SindusCon-SP: vacinação é o melhor instrumento de política econômica 
Zaidan: momento é bastante dramático na economia brasileira

O vice-presidente de Economia do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, avalia que “devemos insistir muito na vacinação, o melhor instrumento de política econômica de que o Brasil dispõe; se demorar muito, teremos sucessivas ondas da pandemia difíceis de tratar, porque cepas atingem pessoas de menor idade e de mais longa recuperação”.

“Vivemos um momento bastante dramático na economia. A recuperação não vai se verificar no primeiro trimestre e provavelmente também no segundo. A inflação tem repicado, já está contratada uma inflação de 6% a 7% entre julho e agosto. O Banco Central se verá inclinado a subir um pouco a taxa Selic. Há desconfiança generalizada pela capacidade do governo em lançar uma âncora para as expectativas. A população economicamente ativa caiu 6% no ano passado e a taxa de desemprego neste ano pode alcançar 20%. O auxílio emergencial que virá não será suficiente para compensar a queda da renda.”

As afirmações foram feitas na Reunião de Conjuntura do SindusCon-SP, em 9 de março, conduzida por Zaidan, com a participação do presidente Odair Senra. “Na construção, vivemos um momento crítico em insumos. Há ainda problemas de desabastecimento, como em resinas e materiais metálicos. O preço do aço em dólar subiu 82% no mundo e 150% em reais no acumulado de 12 meses até janeiro, resultado da inflação de custos combinado com o oportunismo de fornecedores. Há incerteza na realização de orçamentos para novas obras. Resta-nos pressionar o governo por vacinação rápida e eficaz, e responsabilidade fiscal. Os Estados Unidos já vacinam quase 3 milhões de pessoas por dia.”

Obras contratadas 

Ana Castelo: obras em andamento ou paradas na faixa 1 do extinto Minha Casa estão ameaçadas

Concordando em que o ritmo da vacinação será essencial para a recuperação da economia, a economista Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV/Ibre, afirmou o desempenho da construção em 2021 dependerá deste e de outros fatores.

Segundo a economista, a oferta de crédito imobiliário deve continuar em expansão, com taxa de financiamento ainda acessível. A questão é se o investimento em imóveis vai se manter caso subam as taxas de juros no mercado financeiro. “De toda forma, as vendas do ano passado resultarão em obras, principalmente em São Paulo.”

Na infraestrutura, acrescentou, a expectativa é de recursos originários de emendas parlamentares, uma vez que a situação fiscal de estados e municípios é lamentável. Também há muita legislação ainda a ser aprovada com a vigência do Marco Legal do Saneamento.

Ana Maria mostrou que, embora o PIB da construção nacional tenha caído 7% em 2020 segundo o IBGE, os dados da Fundação Seade revelam que o PIB da construção cresceu 3,8% no Estado de São Paulo, situando-se em patamar semelhante ao verificado entre 2009 e 2010. Ela comentou que a queda do PIB da construção no último trimestre de 2020, originária da atividade do segmento informal, foi uma surpresa.

Dos mais de 112 mil novos empregos criados pela construção no país em 2020, a Região Sudeste respondeu por 52 mil, 30 mil dos quais no Estado de São Paulo. Dos empregos gerados nacionalmente pela construção, 47,3 mil ocorreram na infraestrutura, 37,6 mil em serviços especializados (principalmente reformas) e 27,1 mil em edificações. Estados e municípios tiveram folgas de caixa por conta do adiamento do pagamento de suas dívidas para com a União e pelo aumento das transferências desta para eles, situação que não deve se repetir neste ano, prosseguiu a economista.

A construção encerrou o ano de 2020 com mais de 2,3 milhões de empregados, 604 mil dos quais no Estado de São Paulo. Já o total de ocupados ficou em 6 milhões, 800 mil a menos que no final de 2019.

Ela ainda mostrou que os aumentos de materiais de construção prosseguem, embora em um ritmo menor. Pela última Sondagem Nacional da Construção realizada pela FGV, 28,5% das empresas assinalaram este item como sendo sua maior dificuldade, um recorde na série histórica, que ficou atrás somente da demanda insuficiente, que recebeu 39,5% das assinalações.

Vacinação em massa 

Gonçalves: PIB brasileiro caiu menos que em outros países porque nossa atividade já estava muito deprimida

O economista Robson Gonçalves, professor da FGV, comentou que “não há dilema entre economia e saúde sob a ótica da vacinação em massa. Ela dará a perspectiva de retomada mínima da economia a partir do segundo semestre.”

Segundo Gonçalves, ainda que se equacione o auxílio emergencial sem furar o teto fiscal, a inflação já tirou poder de compra das famílias. O câmbio provocará mais uma onda inflacionária, os combustíveis seguem aumentando, tirando mais poder de compra. “Daí a importância da vacinação.”

Ele ainda alertou que a forma de encaminhamento da reforma emergencial, que atendeu a interesses políticos e corporativos, mostra que “reformas a qualquer custo poderão ser limitadas e afetar negativamente a construção civil”.

De acordo com Gonçalves, oligopólios no Brasil e no mundo aumentam margens nas recessões diante da incerteza. O mercado sanciona porque o cliente não tem como deixar de pagar. Como consequência, decisões de investimento são adiadas e se trabalha com estoques rasos, provocando desabastecimento.

Ele ainda preconizou uma correção urgente do critério de parâmetros fixos na contratação de empreendimentos de habitação de interesse social por parte do governo.

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