SindusCon-SP apresenta ações ambientais em encontro com a Secretaria de Mudanças Climáticas
Por Rafael Montagnini
Secretário municipal conheceu iniciativas da construção civil em sustentabilidade, gestão de resíduos e redução de emissões
O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) recebeu, em 02/03, em sua sede, o secretário executivo de Mudanças Climáticas da Prefeitura de São Paulo, José Renato Nalini, e a chefe de Gabinete, Luciana Feldman, para almoço institucional. O encontro tem como objetivo aproximar a entidade da pasta e apresentar as iniciativas e o empenho do setor da construção civil paulista na agenda ambiental e climática.
Yorki Estefan deu as boas-vindas aos representantes da Prefeitura, apresentou o SindusCon-SP e destacou o papel institucional da entidade. Em seguida, afirmou que uma das questões que mais lhe causam preocupação são as notícias sobre desrespeito ao meio ambiente que, muitas vezes, tratam os dados como se fossem da construção formal. Segundo ele, o problema está na autoconstrução. Ressaltou ainda que as empresas associadas são orientadas a seguir rigorosamente a legislação vigente.

Ao apresentar a Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas, que está à frente desde 2024, Nalini explicou que se trata de uma pasta de articulação, com a atribuição de inserir no radar das demais secretarias, entidades municipais, instituições do terceiro setor, academia, sociedade civil, empresários, entre outros setores, os efeitos das mudanças climáticas.
Entre as principais frentes estão o combate à ocupação clandestina e indiscriminada de mananciais, o Comfrota que discute a mobilidade sustentável da frota urbana, o uso da energia limpa, a prevenção dos efeitos das chuvas intensas e a mitigação e adaptação da cidade a eventos climáticos extremos. O secretário afirmou que a construção civil precisa estar preparada para cenários em que a cidade poderá enfrentar eventos climáticos mais extremos, como ciclones, e reforçou a meta de planejamento para zerar as emissões de gases de efeito estufa até 2050.
Lilian Sarrouf, coordenadora técnica de Meio Ambiente do SindusCon-SP, apresentou ao secretário o histórico do Comitê de Meio Ambiente (Comasp), que atua há 26 anos. Destacou que as construtoras destinam mais de 90% dos resíduos de obras para reutilização ou reciclagem.
Informou ainda que, desde 2020, foram coletados e destinados à indústria 500 mil quilos de embalagens de aço por construtoras associadas à entidade, em parceria com a organização Prolata, dentro de um sistema de logística reversa.
Sobre eficiência energética, o SindusCon-SP participa dos grupos de trabalho responsáveis pela definição de índices mínimos de eficiência em edificações no Ministério de Minas e Energia. Lilian propôs atuação conjunta com a Prefeitura para ampliar a eficiência energética de prédios antigos no município. Também abordou o uso correto e o descarte adequado de madeira.
“O SindusCon-SP apoia soluções baseadas na natureza, contribui para a revitalização do mobiliário urbano com ações de gentilezas urbanas e compensação ambiental, incluindo o plantio e a doação de mudas para viveiros”, relembrou Sarrouf.
Ronaldo Cury, vice-presidente de Relações Institucionais, destacou a insegurança jurídica relacionada à supressão de árvores já autorizadas pela gestão municipal, mas que, posteriormente, passam a ser questionadas judicialmente, resultando na paralisação de obras. Daniela Ferrari reforçou que esse cenário tem sido um obstáculo à construção de habitações de interesse popular, com interrupções frequentes de empreendimentos em áreas valorizadas.
Sarrouf também abordou as ações relacionadas à pegada de carbono e destacou a CECarbon, a Calculadora de Consumo Energético e Emissões de Carbono na Construção Civil do SindusCon-SP. A ferramenta on-line permite calcular as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e o consumo energético associados à construção de uma edificação. “Nosso setor emite um terço das referências internacionais”, afirmou a coordenadora técnica do Comasp.
A Calculadora de Eficiência Hídrica na Construção Civil, CEHídrica, também foi apresentada ao secretário Nalini. A ferramenta do SindusCon-SP possibilita medir e gerenciar o consumo de água em obras e edificações, desde a fabricação dos materiais até a fase de uso do empreendimento. Foi informado que, em maio, será lançada a Plataforma Construção Sustentável, que integrará as calculadoras e outras ferramentas desenvolvidas pela entidade.
Nalini afirmou que o setor necessita de uma campanha de comunicação, pois a sociedade precisa conhecer melhor as ações positivas de meio ambiente desenvolvidas pela construção civil em benefício da cidade.
Yorki Estefan afirmou que essa é uma preocupação permanente da entidade. Destacou que a área de meio ambiente é, atualmente, a mais prestigiada em termos de orçamento no SindusCon-SP e que há a missão de disseminar gratuitamente para outros estados as iniciativas implementadas em São Paulo.
Rodrigo Von lembrou que o setor é responsável por aproximadamente 64% da descontaminação de terrenos no estado, desempenhando papel relevante na requalificação de áreas degradadas.
Daniela Ferrari mencionou o Comitê de Obras Industrializadas, ressaltando que a utilização de sistemas semiprontos, montados no local, reduz o consumo de materiais e as emissões associadas à obra. Afirmou ainda que o SindusCon-SP é a única entidade no estado de São Paulo que congrega empresas desse segmento específico.
Ao final da reunião, Yorki Estefan ponderou que seria adequado que a Prefeitura evitasse indicar o plantio de árvores de grande porte em determinadas áreas, a fim de reduzir problemas decorrentes de quedas após chuvas intensas, por exemplo. O presidente também colocou o SindusCon-SP à disposição para futuras parcerias, bem como para o fornecimento de dados e informações técnicas que possam subsidiar políticas públicas relacionadas à agenda ambiental e climática.
Também participaram do encontro, pelo SindusCon-SP, Renato Genioli, vice-presidente Financeiro; David Fratel, diretor da área de Gente; Rosilene Carvalho, gerente jurídica; Filemon Lima, gerente de Relações Institucionais; e Vanesa Dias, supervisora do Comasp. Pela Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas da Prefeitura de São Paulo, também esteve presente Marcio Oliveira, assessor do secretário.