Seminário de Pré-Construção mostra cases exemplares
Por Rafael Marko
Evento lotou o auditório do SindusCon-SP
Cases emblemáticos marcaram o Seminário de Pré-Construção, que lotou o auditório do SindusCon-SP, em 26 de maio.
Abrindo o evento, Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP, afirmou que “a pré-construção otimiza a eficiência do nosso setor. Isto se alinha a um dos principais objetivos da Diretoria do SindusCon-SP, de impulsionar a industrialização da construção, incrementado a produtividade. Esta é uma necessidade premente, diante da crise generalizada de mão de obra.”
Tiago Rossi, coordenador do COI (Comitê de Obras Industriais), destacou que “a pré-construção é estratégica, agrega valor, e o evento se destina a compartilhar exemplos de áreas em mercados diversos, esclarecendo dúvidas”.
Transparência
André Glogowsky, membro do Comitê de Tecnologia e Qualidade do SindusCon-SP, mostrou em sua apresentação a importância da pré-construção como a junção das competências dos vários profissionais e empresas envolvidos, que trarão mais assertividade na execução da obra, reduzindo riscos e conflitos entre projetistas, construtoras e clientes.
Entre outras vantagens da pré-construção, Glogowsky apontou solução de desafios técnicos e legais de um terreno, mitigação de riscos ambientais, alinhamento do escopo às necessidades dos clientes, idealização dos prazos e custos do projeto, desenvolvimento e viabilização de tratativas comerciais, redução de margem de risco e obstáculos não previstos, otimização dos processos da fase de obra e desenvolvimento de projetos de alta complexidade técnica.
Ele destacou a necessidade de muita transparência no processo. Ao final do processo, sai um estudo completo feito por aqueles que executarão a obra posteriormente. Pode-se contratar a construção e a pré-construção juntas, mas se esta não for bem feita, o cliente poderá ir ao mercado buscar outra construtora. Segundo ele, uma pré-construção bem feita pode diminuir em 10% a 20% o custo da obra.


Rogerio Hirata (Construtora Ribeiro Caram) destacou que o cliente também vai participar da definição dos fornecedores. O custo da pré-construção é irrisório, 1% ou 2% do custo da obra. Enquanto se aguardam os licenciamentos, fazem-se os estudos, e quanto mais tempo houver para discutir com os envolvidos, mais poderemos aprofundar na construção.
Gustavo Zan (Diase Construções) comentou que o planejamento da pré-construção não envolve só a obra, mas tributos, licenciamentos. Daí a importância de um modelo de contratação bem feito, com a construtora abrindo os custos, compartilhando informações. Com isso, o cliente fica confortável em relação ao resultado final. O escopo da pré-construção precisa ser o mais amplo possível, afirmou.
André Barros, da FSolution, mostrou como sua empresa pode ajudar na pré-construção e se colocou à disposição das construtoras.
Fábrica de tratores
O case de pré-construção da fábrica de tratores Yanmar em Indaiatuba foi medidado por Vitorio Lepiane (Teixeira Duarte), que comentou a importância da criatividade no processo.
Ricardo Pinho (também da Teixeira Duarte) destacou a importância de transparência entre os envolvidos e da participação da construtora desde a fase da pré-construção, que se paga. Relatou os princípios que precisariam ser seguidos, como o de uma fábrica com segurança contra acidentes. E disse ter sido bastante assertivo o processo da pré-construção.
Newton Akira Nishimoto (Yanmar), falou da necessidade de conciliar a construção com as características da fábrica, que precisa ser eficiente e flexível. Relatou os passos dados para a contratação da Teixeira Duarte. E relatou que os resultados da pré-construção foram bastante satisfatórios.
Chantal Longo (Capote Marcondes Longo) comentou que na pré-construção é comum a necessidade de ajustes no projeto, daí a importância do envolvimento da construtora e do projetista. Segundo testemunhou, o estudo foi bastante satisfatório para a arquitetura.
Carolina Gazetta (RB Asset), que atuou no processo representando a Yanmar, relatou que a pré-construção estava prevista desde o início, aproveitando a janela do licenciamento para a tomada de preços. Mitigação de riscos técnicos, questões jurídicas e de seguros, engenharia e soluções orçamentárias pautaram o método de trabalho, que está em vias de terminar. O contrato em fechamento custeou riscos e converge com a meta orçamentária da Yanmar. Investiu-se 1,5% do custo da obra e se economizou 8%, segundo ela.
Welington Roberto, representante da Marko Sistemas Metálicos mostrou o sistema de cobertura metálica roll-on de sua empresa e se colocou à disposição.
Novo edifício do Masp
No painel mediado por Roberto Paiva (Racional Engenharia), Miriam Elwing (Masp) mostrou em sua apresentação o case da restauração novo edifício do Masp, em São Paulo. Relatou que foi mais de um ano de pré-construção, possibilitando um projeto maduro de um museu vertical, concluído no início da pandemia e juntando 60 projetos de escritórios técnicos, coordenados pela Racional.
Segundo Miriam, a opção foi escolher uma construtora nacional, e não havia compromisso de seguir com a construtora após a construção. O processo da pré-construção foi muito rico. Como o orçamento ficou dentro do limite esperado, a construtora foi contratada. Houve o desafio de levar toda a precisão do BIM para a obra.
Martin Corullon (Metro Arquitetos), destacou o alinhamento entre todos os envolvidos, fundamental para a realização da obra. A construção ficou pronta após cinco anos, e teria demorado mais se não tivesse havido a pré-construção. Na fase da obra, a Metro montou um escritório dentro do prédio, para acompanhamento.
Respondendo a uma indagação de Tiago Rossi, Corullon explicou que foi preciso introduzir novos elementos no projeto, otimizando-o, graças à pré-construção.
Parque logístico
O case do Parque Logístico Guarulhos II foi mediado por Rogerio Hirata (Ribeiro Caram). Ele destacou que a pré-construção ajudou inclusive a melhorias urbanísticas, envolvendo 15 escritórios técnicos e empresas. A gestão foi feita mediante um cronograma 4D. Os projetistas seguem acompanhando a obra. Na obra, os mestres usam tablets e interagem com os projetistas.
Marcelo Barbosa (Bacco Arquitetos) falou das complexidades urbanas e ambientais do entorno do parque logístico, como atender aos gabaritos do Comaer. Apontou a previsibilidade proporcionada pela pré-construção. O BIM foi relevante para compatibilizar os projetos.
Luana Imparato (Brookfield) mostrou em sua apresentação as muitas variáveis que fazem as margens ficarem cada vez mais estreitas e a importância da pré-construção para mitigar riscos e viabilizar os projetos. No contrato, houve vinculação ao atingimento de prazos e custos. Não houve economia, mas a pré-construção evitou o estouro do orçamento, com muitas alterações no projeto original. Segundo Luana, a pré-construção é uma oportunidade para se atingir as metas de descarbonização.