Seminário apresenta inovações em sistemas prediais
Por Rafael Marko
Em pauta, tendências, projetos e responsabilidades
Novas soluções marcaram as apresentações feitas no 22º Seminário Tecnologia Sistemas Prediais do SindusCon-SP, realizado pelo CTQ (Comitê de Tecnologia e Qualidade), e que lotou o auditório da entidade em 2 de julho.
Abrindo o evento, Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP, destacou que “os sistemas prediais passam por uma constante evolução que o SindusCon-SP acompanha atentamente. Por meio do nosso CTQ, conhecemos diversas inovações que hoje estamos apresentando. Esta é uma das missões do SindusCon-SP: contribuir para a produtividade e o fortalecimento das empresas associadas.”

Roberto Pastor Júnior, coordenador do CTQ, comentou que “o desafio de nossas construtoras é grande, pois inovar e evoluir requer mudança de cultura e treinamento, mesmo das equipes qualificadas. Assim, esperamos contribuir para esse avanço nas construtoras de vocês.” Convidou as empresas a participarem dos cursos da Universidade Corporativa SindusCon-SP e do Programa de Qualificação em parceria com o Senai-SP: “Este é o SindusCon-SP, sempre antenado com o incremento da produtividade.” Agradeceu especialmente à consultora Maria Angelica Covello pelo apoio técnico à organização do seminário.
Lauro Gomes Ladeia, coordenador do Grupo de Sistemas Prediais do CTQ, afirmou que as exigências às construtoras aumentam a cada ano, ao mesmo tempo que as inovações chegam com muita rapidez, exigindo uma atualização constante. “Aprender passou a fazer parte da nossa contribuição e talvez essa seja a maior conquista deste seminário”. A exemplo de Estefan e Pastor, agradeceu aos palestrantes, patrocinadores, apoiadores, aos membros do CTQ e à equipe do SindusCon-SP.
Desafios dos projetistas
No período matutino, as tendências de projeto de sistemas prediais diante das necessidades dos empreendimentos imobiliários atuais e futuros foram apresentadas por Fabiana Rewald, diretora da Rewald Engenharia. Comentou que empreendimentos com usos mistos e também com habitação de interesse social aumentaram a complexidade dos sistemas prediais, com grande quantidade de desvios em elétrica e hidráulica, e aumento das patologias.
Segundo Fabiana, outro desafio são a existência de mais plantas e personalizações, dificultando a industrialização do processo, pressionando os prazos de realização de projetos, e obras que começam antes de os projetos ficarem prontos. Um terceiro desafio são a falta de mão de obra, falta de investimento no ensino médio técnico, ensino superior com deficiência em sistemas prediais, a geração Z nos escritórios de projetos obrigando a novas formas de gestão. Projetistas acabam sendo obrigados a adotar soluções vindas de coordenadores de projetos e consultores, reuniões improdutivas com os clientes, e estresse nas primeiras comunicações entre contratantes e projetistas também geram problemas ao desenvolvimento dos projetos.
A engenheira mostrou o trabalho do escritório, com um portal e o uso de diversas ferramentas, incluindo a utilização de Inteligência Artificial (IA), otimizando prazos e a comunicação. Destacou a importância do trabalho conjunto em sistemas prediais entre Abrasip, SindusCon-SP e Secovi-SP, com desenvolvimento de normas, e atuação junto às concessionárias e ao Corpo de Bombeiros. Listou ainda desafios na utilização de materiais e no uso do BIM, e propôs vários caminhos para a otimização dos projetos.
Águas pluviais
Sérgio Frederico Gnipper, diretor da SFGnipper Engenharia, mostrou as propostas para a revisão da norma ABNT NBR 10844 – Instalações prediais de águas pluviais. Mostrou que a norma atual é de 1989, derivada de outra, de 1981, e baseada em norma britânica de 1973. Nestes 53 anos surgiram muitas inovações. A proposta é dividir a nova norma em três partes, levando também em conta as chuvas mais intensas que ocorrem hoje e deixando ao projetista mais liberdade em alicerçar seu projeto nesta área.
De acordo com Gnipper, o projeto também abordará a capacidade de escoamento das calhas, com descarga livre ou restrita, e os vários aspectos relacionados. Também haverá disposições em relação a se evitar mau cheiro e criação de pernilongos nas caixas de areia.
Drenagem de alta performance
Na sequência, André Santos do Nascimento, coordenador técnico de Resiliência Climática Urbana da Amanco Wavin, exibiu as soluções integradas de drenagem de alta performance com QuickStream, para captação de água pluvial.
Ele mostrou as vantagens de otimização possibilitadas pelo uso do sistema, bem como seus atributos de sustentabilidade ambiental, e a facilidade para instalação pelos montadores. Na sequência, apresentou diversos cases de aplicação em edificações de diversos usos.
Vinicius Lino de Oliveira, engenheiro de Aplicação da Amanco Wavin, discorreu sobre os atributos do AquaCell, de reservatórios para retenção (piscininhas) e reuso. Mostrou as vantagens de seu uso e as diversas opções disponíveis, com norma técnica. Destacou a sustentabilidade ambiental e que pode pontuar nos municípios que têm IPTU Verde. E exibiu diversos cases de aplicação do sistema em edificações, com rapidez na instalação.
Vantagens da pressurização
Os sistemas de pressurização direta: aplicações, critérios técnicos e vantagens na construção civil foram apresentados por Jerry Silva, gerente de Vendas da Wilo Brasil. Abordou os problemas dos sistemas convencionais, como custos, manutenção, maior emprego de concreto e aço. Já na pressurização direta, as coberturas das edificações são liberadas para outros usos, muitos dos desafios dos sistemas convencionais são eliminados e se ganha em custo e tempo de execução da construção. A obra é mais rápida, usa-se menos concreto, e a manutenção é integrada com o uso de IA. Banho constante e menor ruído beneficiam os usuários das edificações. Na ausência de energia, um gerador é acionado. Cases foram apresentados, realizados em diversos Estados.
Debates
Marcelo Savi Guaranha, membro do CTQ, apresentou os palestrantes e mediou os debates. Comentou que, por trás das ferramentas e da IA, é necessário um profissional competente que saiba manejá-las. Defendeu novos modelos de trabalho e a necessidade do regramento técnico para dar segurança a quem projeta e a quem aplica. Em relação à atualização da norma técnica de águas pluviais, elogiou a proposta de estabelecimento de critérios objetivos.
Maurício Linn Bianchi, coordenador do Grupo de Projetos do CTQ, questionou a responsabilidade pelos projetos. Fabiana destacou que o projetista é responsável pelo projeto, mas que o consultor também deve responder, assim como construtores e incorporadores. É preciso deixar claros os escopos, e os prazos necessários para executar os projetos, afirmou.
Gnipper comentou que nem sempre é eficaz a interação entre o desenvolvimento da norma e os aplicadores dos sistemas. Informou que ainda será criada a Comissão de Estudos da ABNT para a revisão da norma de instalações de sistemas de águas pluviais. Silva mostrou os controles sobre o funcionamento das bombas dos sistemas da Wilo.
Bianchi afirmou ser necessária uma compreensão melhor dos custos da pressurização direta e o que se economiza com sua utilização, para que sejam corretamente contratados.
Conformidade de fios elétricos
Ênio Rodrigues, diretor executivo do Sindicel, falou sobre a conformidade de fios e cabos elétricos e o papel daquele sindicato no combate ao mercado ilegal. Ele alertou sobre os riscos dos produtos irregulares e mostrou o que a entidade está realizando para coibir as irregularidades na fabricação e comercialização de produtos irregulares, mesmo que tenham certificação do Inmetro. O site do Sindicel traz as marcas regulares de cabos, fios, tomadas e extensões.
Projetos para retrofit
A inspeção, a avaliação das condições existentes e o projeto de sistemas prediais em obras de retrofit foram apresentados por Gustavo Alves Ortega, diretor da Fator Engenharia e Projetos. São dois os tipos: retrofits que não alteram o uso do edifício, como trocas de aquecimento de água e individualização de água fria e quente; e retrofits com a troca de uso da edificação, cuja demanda tem aumentado. Para esse tipo, tudo é alterado: lajes, prumadas etc., com a possibilidade de aproveitamento de algum sistema, se for viável.
Ortega relatou que inicialmente se fazem inspeções, quando se detectam sucateamentos, instalações obsoletas, patologias e riscos de segurança e contaminação aos usuários das edificações. Depois é feito o diagnóstico, as decisões são tomadas sobre o que será feito, e só então se faz o projeto. Detalhou tudo o que é preciso inspecionar e testar, e como fazê-lo. Mostrou que o objetivo do retrofit não é simplesmente substituir, mas tomar a melhor decisão técnica para cada sistema.
Segurança em edificações altas
Bruno Franzmann, diretor da Franzmann Engenharia, abordou os sistemas de segurança em edificações altas. Um dos desafios é a propagação muito rápida das chamas; outro são as intoxicações e óbitos por aspiração de fumaça. Sistemas de sprinklers e sistemas de detecção de alarme são essenciais. A energia dos geradores não pode ser desligada para áreas e elevadores de emergência. É preciso garantir que não haja alarmes falsos. Comentou ainda outros aspectos que elevam a segurança nos incêndios.
Jorge Batlouni Neto, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade do SindusCon-SP, apresentou os palestrantes e mediou os debates. Comentou que é necessária a divulgação das boas práticas em retrofit. Solicitou que o Sindicel faça uma maior divulgação de suas ações contra irregularidades em cabos e fios elétricos.
Reportagem sobre a parte vespertina do Seminário sairá na próxima edição