Tecnologia de Sistemas Prediais

Seminário amplia conhecimento sobre instalações prediais

Evento do CTQ e do Comasp apresentou inovações com foco em qualidade e produtividade

Por Rafael Marko 23/06/2017 14:41:57

As inovações em sistemas prediais que trazem mais qualidade, produtividade e sustentabilidade, bem como a importância de seu envolvimento desde a fase da concepção dos empreendimentos, foram os destaques do Seminário Tecnologia de Sistemas Prediais 2017, que lotou o auditório do SindusCon-SP em 22 de junho.

IMG_3686Abrindo o evento, o vice-presidente de Tecnologia e Qualidade, Jorge Batlouni, elencou os quatro focos que o sindicato imprime na abordagem do tema: desempenho, produtividade, segurança na execução da obra e sustentabilidade. Entre os desafios colocados, citou a necessidade de sistemas de água quente e fria eficientes, em face das mudanças instituídas neste tema pelo novo Código de Obras do município de São Paulo. “Disseminar tecnologia é a melhor forma de apoiar nosso associado”, observou.

Em sua saudação, o coordenador do Comitê de Tecnologia e Qualidade (CTQ) do SindusCon-SP, Yorki Estefan, relatou que a missão deste órgão em seus workshops e seminários é disseminar conhecimento e técnicas construtivas para servir de referência ao mercado, com visão voltada a aplicações práticas. “Investir em conhecimento é fundamental para a superação de desafios”, pontuou.

O coordenador adjunto do CTQ, Renato Genioli, que junto com o membro do CTQ, Renato Soffiatti, organizou o evento, chamou a atenção para a necessidade de aculturação dos projetistas a inovações como a industrialização dos sistemas prediais. Ele ainda agradeceu aos patrocinadores Comgás, Otis e Docol e à coordenadora técnica do evento, Maria Angelica Covelo e Silva. O seminário foi realizado pelo CTQ e pelo Comitê de Meio Ambiente (Comasp) do sindicato.

Soluções hidráulicas
Em sua apresentação, Eduardo de Setti Alves, ‎diretor da Merc Kits Soluções Hidráulicas Prediais, mostrou que as instalações pré-montadas, embora representem um pequeno aumento no custo do material, poupam boa parte do custo da mão de obra utilizada, resultando numa economia de 30% da parte hidráulica em empreendimentos imobiliários e de 26% em unidades do Programa Minha Casa, Minha Vida.

IMG_3796Ele mostrou o case da obra Bosque Marajoara, da Gafisa, em São Paulo. Lá, os sistemas foram instalados em oito meses nas 339 unidades habitacionais de duas torres com 21 pavimentos cada, mediante kits industrializados que subiam pela grua e eram montados rapidamente. “Não há improvisos, não há roscas, não há almoxarifado, o material já vem testado e a sobra é zero”, acentuou.

Alves também se referiu às vantagens em produtividade na utilização de sistemas galvanizados por compressão para incêndio e aquecimento solar. E citou os próximos desafios: kits pré-montados de parede hidráulica para banheiros e padronização das instalações na fase de projeto.

Aquecimento solar
A ineficiência e o alto custo dos sistemas de aquecimento solar de água, que a infeliz Lei 14.459/07 e seu Decreto 49.148/08 impingiram ao mercado da capital paulista nos últimos dez anos, foram relatados por Paulo Luciano Rewald, diretor de Normalização do Secovi-SP e da Rewald Engenharia. “Neste período, menos de 0,5% das novas edificações foram instaladas com esses sistemas”, comentou.

Ele mostrou o novo regramento que revogará aquela legislação a partir da vigência do Código de Obras em 9 de julho. Observou, porém, que ainda falta clareza em alguns pontos, os quais deverão constar do decreto regulamentador a ser publicado até lá. Além de o mercado continuar em busca de soluções para uma distribuição eficiente da água aquecida, ainda será preciso rever a Norma Técnica 5626, que dispõe sobre esses sistemas. “Também seria ideal termos projeto de banheiro padronizado”, disse.

Na análise de José Jorge Chaguri Jr., diretor da Chaguri Consultoria, ainda faltam parâmetros, normas, instaladoras qualificadas e regulação de equipamentos no que denominou de sistemas prediais termohidráulicos, que combinam energia solar e a gás para o aquecimento e a distribuição de água.

“Chegamos a ter 73 tipologias em um único empreendimento”, mencionou Chaguri. Comparou as vantagens e limitações dos sistemas de circuito aberto e fechado, relacionando desafios a serem superados, como a higienização da rede, as necessidades de resfriar a água ou de recirculá-la internamente e a medição individual do consumo. “Os próximos desafios serão acompanhar as instalações em uso, fazer sua gestão, qualificar projetistas e instaladores, desenvolver pesquisas e divulgar um manual de boas práticas”, assinalou.

Solução a gás
Uma nova solução para a microgeração em condomínios foi apresentada por Pedro Mendes Silva, gerente comercial da Comgás. Trata-se do CHP, um sistema acionado por motor a gás, que serve simultaneamente para aquecer água e gerar energia elétrica. “Encaixa-se na exigência do Código de Obras para o aquecimento de piscinas”, comentou, ao relatar sua utilização em uma das três piscinas do Condomínio Clube. Ele estimou que o sistema traz uma economia de 30% a 40% no gasto com energia e um retorno em 4,5 anos.

IMG_3932Já Alberto Fossa, diretor executivo da Associação Brasileira pela Conformidade e Eficiência das Instalações (Abrinstal), apresentou as vantagens de as construtoras participarem do sistema de avaliação da qualidade de sistemas prediais Qualistal. Segundo ele, a participação das construtoras nos grupos de trabalho de água, energia elétrica e gás, bem como sua certificação, garantem qualidade, elevam a competividade, a produtividade e a segurança, reduzem as patologias e fomentam o mercado.

Estas vantagens foram confirmadas por Marcelo Matsusato, gerente de Operações de Engenharia da Tecnisa, a primeira construtora do país a obter aquela certificação em seus sistemas prediais. “Melhoram o planejamento, a gestão, os custos, os procedimentos internos e a integração com as instaladoras, diminuem as ocorrências pós-obra, aperfeiçoam-se técnicas, padronizam-se serviços, organiza-se o almoxarifado e se aumenta a produtividade em até 3,5 vezes”, relatou.

Comissionamento amplo
Diferentemente do conceito usual de que o comissionamento em sistemas prediais limita-se à implementação e à aplicação de testes de funcionamento e desempenho, Eduardo Seiji Yamada, membro do Comitê Diretor da Unidade de Sustentabilidade do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), propôs um conceito mais amplo: “Comissionamento é o processo de controle de qualidade para assegurar que os sistemas sejam concebidos, projetados, instalados, testados, operados e mantidos conforme premissas e necessidades do cliente, normas técnicas e boas práticas”.

Segundo ele, neste modelo o consultor de comissionamento é o auditor técnico do cliente, envolvendo-se em todas as fases do empreendimento, verificando projetos, atestando a qualidade de materiais e instaladoras, a administração da operação predial, o treinamento dos operadores pelas instaladoras, sempre orientando, melhorando a comunicação e prevenindo erros.

Ao final do evento, Roberto Paiva de Almeida, diretor executivo da HTB Engenharia e Construção, apresentou o case dos sistemas prediais do empreendimento AQWA, na região do porto no Rio de Janeiro. Empreendimento Triple A projetado pelo renomado arquiteto britânico Norman Foster, as duas torres de escritórios que o compõem são dotadas de sistemas sofisticados de energia, alimentação de água potável, recolhimento de água pluvial com tratamento para uso em sanitários e irrigação, ar condicionado, pré-resfriamento de ar exterior de rodas entálpicas para exaustão nos sanitários, tudo com controles computadorizados para se obter o máximo de racionalização do consumo de água e energia.

O projeto foi feito com o uso de BIM (Modelagem da Informação da Construção) para a compatibilização das instalações dos sistemas prediais.









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