Segmento de edificações poderá crescer 3% em 2023; infraestrutura, 4,5%, prevê FGV Ibre 

Rafael Marko

Por Rafael Marko

Segmento de edificações poderá crescer 3% em 2023; infraestrutura, 4,5%, prevê FGV Ibre 

Investimentos tendem a aumentar em 2024 nesses dois setores da construção 

O PIB da construção, na comparação com 2022, deve fechar 2023 com um crescimento de 1,2%, derivado das seguintes estimativas de desempenho: Empresas (+3,3%), Edificações (+3%), Infraestrutura (+4,5%), Serviços especializados (+2,5%) e Consumo das famílias (-2,8%). 

As previsões foram feitas por Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas). Em sua apresentação,
ela mostrou os dados na Reunião de Conjuntura do SindusCon-SP, conduzida por Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia, com a participação de Yorki Estefan, presidente da entidade, em 6 de dezembro. 

Cenários para 2024 

Para 2024, a economista previu três cenários para o PIB da Construção: otimista (+3,4%), mediano (+2,9%) e pessimista (+1,6%). Para as empresas do setor, as mesmas previsões são, respectivamente, de +4,1%, +3,7% e +2,1%; para Edificações: +3,5%, +3,5% e +1,5%; para Infraestrutura: +6%, +5% e +3,5%; Serviços especializados: +3%, +2,5% e +1,5%; e consumo das famílias: +2%, +1,5% e +0,8%. 

Ana Castelo comentou que poderão contribuir positivamente para o desempenho do PIB da construção em 2024: custos relativamente estáveis; impacto do programa Desenrola sobre a renda das famílias: continuidade da queda dos juros; novo ciclo imobiliário alavancado pelo programa Minha Casa, Minha Vida; financiamentos para melhoria habitacional; e obras de infraestrutura motivadas pelo PAC, por eleições municipais e por concessões. 

Em contrapartida, poderão contribuir negativamente para o desempenho da construção fatores como: endividamento das famílias; redução do ritmo da atividade econômica; evolução da renda real e situação fiscal. 

Já no Estado de São Paulo, o PIB da construção havia crescido 12,4% até o final do terceiro trimestre, observou. 

Dados ainda serão revistos 

Comentando a queda de 3,8% do PIB da construção no terceiro trimestre de 2023, a economista lembrou que as variações trimestrais do PIB são provisórias e que o PIB da Construção cresceu 12,62% em 2021 e 6,85%, de acordo com revisões feitas pelo IBGE. Em 2023, faltou mão de obra qualificada, o mercado imobiliário mostrou-se resistente e o PIB do setor frustrou as expectativas de crescimento. Houve queda dos preços dos materiais, o programa MCMV foi reformulado e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), lançado – recordou. 

Segundo Ana Castelo, a estimativa em dezembro de 2022 era de que a construção cresceria 2,4% em 2023. Entretanto, a ocupação total da mão de obra declinou. Já atividade da construção formal cresceu, conforme demonstram os números do emprego formal no setor. Houve desaceleração desse crescimento no segmento de edificações e aceleração naquele de obras de infraestrutura. No município de São Paulo, ambos os setores aceleraram. 

As vendas de cimento declinaram ao longo do ano, assim como a produção e as vendas da indústria de materiais. “Este, portanto, foi o componente que puxou o PIB para baixo”, explicou. 

Já o desempenho do mercado imobiliário no país caracterizou-se por queda nas vendas e queda mais acentuada dos lançamentos. No terceiro trimestre, as vendas voltaram a crescer. Já no município de São Paulo, os lançamentos caíram, mas as vendas registraram um crescimento expressivo, principalmente no mercado de médio e alto padrão. 

No crédito habitacional, os financiamentos com recursos da Poupança caíram, enquanto aqueles com recursos do FGTS aumentaram. O ritmo de crescimento dos preços dos imóveis desacelerou, embora ainda evoluam acima da inflação. Os custos da construção se reduziram, mas na mão de obra e nos serviços seguem elevados, prosseguiu a economista. 

Na avaliação de Eduardo Zaidan, há fatores positivos que poderão impulsionar a construção em 2024, mas comentou que haverá pressão de demandas paroquiais por gastos sobre o Orçamento e dificuldades de se elevar a arrecadação, o que poderá ser prejudicial para o setor. Comentou também que o Banco Central continuará vigilante em relação ao ritmo de queda dos juros diante do comportamento da inflação. 

Investimentos X juros 

Robson Gonçalves, professor da FGV, mostrou que o índice da atividade econômica vem caindo desde abril, possivelmente como efeito defasado dos juros altos. A produção de bens de consumo não evolui e ainda está abaixo do nível pré-pandemia. Já o setor de serviços, que cresceu consideravelmente e está acima do nível pré-pandemia, perdeu fôlego em 2023 e não encontra um novo impulso para crescer. Apesar da queda dos juros, o Banco Central previa no final de setembro desaceleração do crescimento em 2024. 

O economista mostrou que a formação bruta de capital fixo vem caindo mais do que o declínio dos juros. Se o PIB crescer 0% no terceiro trimestre, o efeito de carregamento será menos que 0,5% para 2024. Ou seja, para o PIB crescer 1,8%, como estima o Banco Central, será preciso encontrar novos impulsos à atividade econômica. Acelerar o gasto público pode voltar a pressionar por uma elevação dos juros, alertou. 

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