Redução da 6×1 requer negociação
Por Redação SindusCon-SP
Imposição da medida prejudicará construção, clientes e poder público
A imposição da redução da escala de trabalho 6×1 agregará um elemento disruptivo aos custos da indústria da construção, que têm se elevado continuamente desde o conflito do Oriente Médio, devido à oneração de fretes e preços de insumos.
No acumulado de 12 meses, o INCC-M, que mede esses custos nacionalmente, está em 6,82%. Na cidade de São Paulo, o indicador já atinge 7,38%, e se elevará ainda mais devido ao reajuste salarial das convenções coletivas de trabalho no município e no Estado paulista, que acabam de ser assinadas.
Estes fatores afetam o equilíbrio financeiro dos contratos de construção, especialmente os pactuados com a administração pública, que não contemplam cláusulas de reajuste. São obras de infraestrutura e habitação popular como os do programa Minha Casa, Minha Vida.
Se aprovada a redução da escala de trabalho, custos de produção de imóveis poderão se elevar em até 20%, com impacto nos preços entre 5% e 6%. Menos famílias terão condições financeiras de acesso à casa própria e empreendimentos imobiliários poderão se inviabilizar. Prazos de entrega pactuados dos imóveis em construção serão postergados, com a introdução de dois dias semanais de descanso remunerado.
Neste cenário, a redução da escala não pode ser imposta. Deve ser negociada entre as entidades representativas dos empregadores e dos trabalhadores, incluindo um período de adaptação de quatro anos ou mais, com estímulos ao aumento da industrialização e da produtividade no setor da construção.
Tal providência será ainda mais relevante tendo em vista nova rodada de aumento de custos com a próxima chegada da reforma tributária, que demandará árduas negociações entre construtoras e seus fornecedores, além do reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos da construção com o setor público.