Preços dos imóveis residenciais sobem 1,07% em março
Por Rafael Marko
Em São Paulo, aumentos foram de 1,20% no mês e de 10,51% no acumulado de 12 meses
Os preços dos imóveis residenciais pesquisados em dez capitais do país aumentaram 1,07% em março, acelerando frente à variação de 0,91% registrada em fevereiro. Já no acumulado de 12 meses houve nova desaceleração, passando de 11,19% até fevereiro, para 10,73% até março.
Os dados são do IGMI-R (Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial), da Abecip (Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança). No trimestre, a variação é de 2,39%, abaixo dos 4,24% registrados no mesmo período do ano passado.
Em São Paulo, o indicador subiu 1,20% em março, acelerando em relação aos 0,46% de fevereiro. Mas no acumulado de 12 meses, a variação ficou em 10,51%, uma ligeira desaceleração em relação aos 10,92% até fevereiro. No trimestre, o aumento foi de 2,22%, abaixo dos 4,69% registrados no mesmo período de 2024.
Além de São Paulo, houve aumentos em março em: Brasília (2,69%), Belo Horizonte (1,80%), Rio de Janeiro (0,91%), Goiânia (0,82%), Fortaleza (0,74%), Salvador (0,58%), Recife (0,45%) e Porto Alegre (0,45%). Em Curitiba, houve queda (-0,14%).
No acumulado de 12 meses, além de São Paulo registraram-se elevações em: Salvador (18,83%), Belo Horizonte (17,43%), Curitiba (13,09%), Goiânia (11,48%), Fortaleza (10,75%), Rio de Janeiro (6,23%), Recife (4,97%), Brasília (4,58%) e Porto Alegre (2,45%).
Na avaliação da Abecip, a desaceleração na variação interanual sinaliza um possível esgotamento do ciclo de valorização mais intensa dos ativos residenciais. A moderação do ritmo de crescimento é coerente com a atual conjuntura macroeconômica, marcada por juros elevados — com a taxa Selic em patamar restritivo —, expectativa de desaceleração do crédito imobiliário diante da redução do funding e uma atividade econômica que avança de forma mais modesta.
Esses fatores combinados impõem maior seletividade ao mercado comprador, o que tende a promover maior equilíbrio entre oferta e demanda, limitando a persistência de pressões inflacionárias no segmento habitacional, segundo a entidade.
De acordo com a Abecip, com o aumento dos custos da construção, há risco de perda de dinamismo do setor, uma vez que elevações persistentes nesses custos tendem a ser repassadas aos preços dos imóveis com algum atraso.
A entidade ainda observa que a diferença do IGMI-R permanece significativa, apesar da trajetória de desaceleração observada nos últimos meses. Esse diferencial reflete, em grande parte, pressões inflacionárias setoriais — como o elevado custo da construção, a escassez relativa de determinados perfis de imóveis e a rigidez da oferta em algumas regiões metropolitanas. Além disso, a transmissão da política monetária restritiva sobre os preços dos imóveis tende a ocorrer com maior defasagem temporal em relação ao consumo corrente, dada a natureza de longo prazo dos contratos imobiliários e a inércia típica desse mercado. Assim, o setor imobiliário segue exibindo dinâmica própria, relativamente dissociada da inflação geral, ainda que sinais de convergência com os fundamentos macroeconômicos comecem a emergir, de acordo com a Abecip.