JANELA

Resgatar a produtividade

Reativação da economia requer políticas para dar sustentabilidade ao crescimento

Estudo realizado pela FGV para o SindusCon-­SP mostrou que, de 2003 a 2013, a construção civil nacional tinha produtividade menor do que a da economia brasileira. Esta, por sua vez, era muito inferior à de economias de outros países. Portanto, a construção padecia de um duplo gap na comparação com o desempenho do setor em países de estágio de desenvolvimento similar ou superior ao do Brasil.

No entanto, graças ao aumento da atividade econômica naquele período, a produtividade da construção brasileira cresceu 20,6%. Ainda assim, ela tinha apenas 20,3% da produtividade da construção norte-americana.

Em um ciclo longo de crescimento econômico, a expansão dos recursos leva a um aumento da produtividade. As cadeias produtivas evoluem para um novo patamar tecnológico, com a correspondente capacitação tecnológica de todos os envolvidos.

Os projetos tornam-se mais avançados, permitindo inovações que elevam a competitividade, gerando um círculo virtuoso que expande o mercado e aumenta o emprego e a lucratividade, sem impacto inflacionário.

ilustra_1040Este ciclo se reverteu a partir de setembro de 2013. Daí até dezembro de 2016, a atividade das construtoras brasileiras caiu pela metade! Interrompida a espiral virtuosa, mais de 1 milhão de trabalhadores foram demitidos, as tecnologias pararam de se desenvolver. Investimentos feitos em capacitação se perderam. A readaptação em uma futura retomada será mais custosa.

A involução também elevou para 22 milhões o número de desocupados no país. Quando o ciclo do crescimento for retomado, o Brasil terá um organismo social mais enfraquecido, o que é muito perverso. Em um país que já tem status econômico ruim, com muita desigualdade, isto é uma tragédia.

A recessão não pune somente os setores e as empresas menos eficientes, mas principalmente aquelas que estiverem em um momento de menor liquidez. Em uma indústria de ciclo longo de produção como é a construção, uma empresa eficiente com tecnologia e gestão avançadas, mas menos líquida, é gravemente punida antes daquela menos produtiva que estiver com mais liquidez.

Neste momento, as empresas adotaram estratégias de sobrevivência e não formarão novos talentos. Todas estas mazelas derivam de alternarmos ciclos curtos e meteóricos de crescimento e recessão, sobrando consequências cruéis para empresas e trabalhadores. Não podemos mais aceitar esta trajetória.

Na retomada do crescimento, a produtividade será vital para a construção e a economia. Por isso, as medidas para reativar a demanda são tão importantes como as destinadas ao ajuste fiscal. Desta vez não basta apenas crescer para sairmos da recessão. Precisamos de políticas que deem sustentabilidade a esse crescimento.

O aumento da produtividade é a tarefa mais urgente da economia brasileira.

Opinião publicada originalmente na seção Janela, da Folha de São Paulo – edição de 05 de março de 2017









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