Guia para viabilizar SBN é lançado
Por Rafael Marko
Publicação orienta sobre como selecionar projetos
Um guia para orientar os profissionais da indústria da construção e imobiliária sobre como viabilizar Soluções Baseadas na Natureza (SBN) foi lançado em seminário realizado por SindusCon-SP, Câmara Ambiental da Indústria da Construção Civil da Cetesb, Aelo e Secovi-SP, em 24 de setembro. As SBN são soluções como parques lineares e urbanos, jardins de chuva, telhados verdes e jardins filtrantes, destinadas a tornar as cidades mais resilientes às emergências climáticas. Para baixar o guia, clique aqui.
Na abertura do evento, Paulo Guilherme Rigonatti, diretor de Controle e Licenciamento Ambiental da Cetesb, destacou que a indústria da construção e do imobiliário é amiga do meio ambiente, reabilita áreas e é um dos setores que mais as reabilitou, respeita áreas de preservação ambiental e será pioneiro na implementação das SBN. Salientou que a Cetesb não pode demorar dois anos para aprovar um projeto com SBN e que o guia trará segurança para o setor e o analista ambiental da companhia.
Francisco Antunes de Vasconcelos Neto, presidente da Câmara Ambiental da Indústria da Construção da Cetesb e vice-presidente do SindusCon-SP, destacou que o guia resultou de um trabalho colaborativo entre as entidades do setor e a Cetesb, para oferecer referências e orientações técnicas que apoiem a seleção e a execução dos projetos de SBN. Ele enfatizou que o seminário, que lotou o salão da plenária do Secovi-SP, demonstrou a importância do diálogo entre a iniciativa privada e o setor público para viabilizar estas soluções.
Eduardo Zaidan, presidente executivo do SindusCon-SP, afirmou que as SBN representam uma mudança de paradigma na forma de pensar os empreendimentos do setor, incorporando soluções que melhoram a vida nas cidades.
Lacir Ferreira Baldusco, presidente do Graprohab, falou da necessidade de se corrigir as cidades em face das emergências climáticas. Além das SBN e dos investimentos para sua viabilização, preconizou a educação ambiental da população e afirmou que o guia será importante para atestar ações ambientalmente corretas mediante projetos inovadores.
José Renato Nalini, secretário de Mudanças Climáticas da Prefeitura de São Paulo, disse que as cidades-esponja são relevantes e poderiam substituir os piscinões na capital paulista outrora repleta de jardins e quintais e hoje impermeabilizada. Considerou as SBN como uma tecnologia mais barata e eficiente para reduzir a temperatura, com ações como o plantio de árvores. E instou o setor a trabalhar com o Plano Hidroviário de São Paulo.
Caio Portugal, presidente da Aelo, salientou que as SBN resultam de uma orquestração de esforços da Cetesb e das entidades do setor, possibilitando que a iniciativa privada execute essas soluções, ultrapassando restrições legais.
Segundo Jorge Cury, presidente do Secovi-SP, as SBN passaram recentemente a fazer parte dos projetos imobiliários. Tecnicamente eficientes e economicamente viáveis, as soluções facilitam o acesso a financiamentos verdes, acrescentou, exemplificando com a Caixa Econômica Federal, que oferece um sexto desses créditos em subsídios, resultando em uma taxa de juros pouco acima do CDI.
Carlos Borges, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade do Secovi-SP, afirmou que as SBN representam uma solução adequada e necessária, citando Barcelona, Roterdã e Copenhague como cidades que as adotaram. Comentou que o guia lançado é o caminho para a aplicação das SBN, que reconectam o ser humano com a natureza.
Projeto e aprovação
As Novas Referências Técnicas para Projeto e Aprovação foram apresentadas por Celia Poeta, assessora de Diretoria de Controle e Licenciamento Ambiental da Cetesb; Adriana Goulart, gerente de Divisão de Apoio Técnico e Gestão de Recursos Naturais, da Cetesb; Jadna Beltrame Lemos, gerente da Agência Ambiental de Desenvolvimento Urbano e Parcelamento do Soloda Cetesb; Ruth Portugal, coordenadora do Grupo de Trabalho SBN-Cetesb; Lilian Sarrouf, superintendente do ABNT CB-002 Construção Civil e coordenadora Técnica do Comasp (Comitê de Meio Ambiente) do SindusCon-SP; e Raquel Azevedo da Cruz, professora da PUC-Rio e especialista em SBN.
A seguir, a SBN como Estratégia de Projeto no Desenvolvimento Urbano foi debatida por Raquel Azevedo da Cruz, também fundadora da Ecótono Paisagem; Guto Índio da Costa, sócio-diretor da Índio da Costa Placemaking; Pierre André Martin, codiretor da Ecomimeses Soluções Ecológicas Urbano-Paisagísticas; e Marcelo Manara, secretário de Urbanismo e Sustentabilidade de São José dos Campos.
Viabilidade econômica
No período vespertino, o painel Financiamento e Viabilidade Econômica das SBN reuniu Omar Rodrigues, gerente de Engajamento e RI da Fundação Grupo Boticário; e Mara Alvim Motta, gerente Nacional SE – Finanças Sustentáveis, da Caixa Econômica Federal.
Seguiram-se apresentações no painel SBN na Prática: Experiências e Aplicações: Maite Pinheiro, coordenadora do Setor de Infraestrutura Verde da Geasa Engenharia; Tarcisio Miranda, engenheiro de Projetos da ADS Tigre; Beatriz Codas, sócia-diretora da Geasa Engenharia; Gabriel Dias Mangolini Neves, assessor Técnico da Secretaria Municipal do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade de Campinas; Duarte Vaz, diretor da Embyá; Adriana Levisky, sócia da Levisky Arquitetos e conselheira da AsBEA-SP; Juliana Alvarenga Alencar, engenheira ambiental e bióloga; Marcelo Novaes, arquiteto paisagista com mais de 40 anos de experiência; e Paulo Velzi, engenheiro civil especialista em desenvolvimento urbano e gestão ambiental.
Ao final, mesa redonda reuniu Raquel Azevedo da Cruz, Ruth Portugal, Jadna Beltrame Lemos, Celia Poeta e Myriam Tschiptschin, diretora de Smart Cities do CTE.