FGV: empresários da construção estão menos pessimistas 

Rafael Marko

Por Rafael Marko

FGV: empresários da construção estão menos pessimistas 

Índice de Confiança sobe em abril e atinge maior pontuação desde 2014 

O Índice de Confiança da Construção (ICST) subiu 4,8 pontos em abril, para 97,7 pontos, o maior nível desde janeiro de 2014 (97,8 pontos). Em médias móveis trimestrais, o índice registra a primeira alta no ano, ao avançar 1,6 ponto. 

Os dados são da Sondagem da Construção do FGV/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas). A pontuação vai de 0 a 200, indicando otimismo a partir de 100. Foram coletadas informações de 603 empresas, entre os dias 1 e 25 deste mês. 

De acordo com Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV/Ibre, em abril houve um salto das expectativas dos empresários da construção, passando a indicar uma percepção de otimismo. Desde setembro do ano passado, a percepção em relação aos próximos meses oscila entre altos e baixos, o que sinaliza a dificuldade das empresas em visualizar a direção dos negócios no contexto atual, de muitas incertezas. 

“Deve-se notar que o Índice de Confiança, mesmo com a alta mensal de seus dois componentes, ainda mostra uma percepção de pessimismo moderado. De todo modo, o saldo consolidado é positivo – houve melhora da confiança no ano, o que vai ao encontro das projeções de crescimento da atividade em 2022”, comenta a economista. 

A alta do ICST resultou na avaliação mais favorável sobre o momento atual e na melhora das expectativas em relação aos próximos meses. O Índice de Situação Atual (ISA-CST) subiu 2,4 pontos, para 94,4 pontos, maior nível desde junho de 2014 (95,2 pontos). 

A alta do ISA-CST foi influenciada tanto pela melhora do indicador de carteira de contratos, que subiu 1,4 ponto, para 95,8 pontos, quanto pelo avanço de 3,1 pontos do indicador que mede a situação atual dos negócios, para 92,9 pontos. Contudo, estes os indicadores permanecem abaixo de 100, o que ainda mostra uma relativa insatisfação sobre o momento. 

Expectativas em alta 

Por sua vez, o Índice de Expectativas (IE-CST) avançou 7,1 pontos, maior variação mensal desde julho de 2020 (8,5 pontos), atingindo 101 pontos. A alta foi suficiente para devolver toda a queda registrada no mês passado. Esse resultado se deve à melhora das perspectivas sobre a demanda nos próximos três meses, que subiu 5,5 pontos, para 103,4 pontos, e à alta de 8,7 pontos do indicador que mede a tendência dos negócios nos próximos seis meses para 98,5 pontos. 

O Nível de Utilização da Capacidade (Nuci) da Construção variou -0,2 ponto percentual (p.p), para 75,8%. O Nuci de Mão de Obra e Nuci de Máquinas e Equipamento tiveram variações contrárias. O primeiro cedeu 0,4 p.p., para 77,0%, e o segundo aumentou 1,7 p.p., para 72,4%. 

Previsão de mais emprego 

Em abril, o Indicador de emprego previsto avançou 13,6 pontos na comparação interanual – com alta em todos os segmentos setoriais. “A despeito das oscilações do humor em relação ao que vai acontecer nos próximos meses, a melhora em relação às perspectivas de contratação traduz o ciclo recente de retomada das atividades”, avaliou Ana Castelo. 

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