Pesquisas

FDTE tem trabalho sobre estruturas de concreto armado premiado no Entac 2016

Pesquisa mostrou que jeito de contratar impede, por exemplo, o desenvolvimento de projetos e de processos mais eficientes

Por Redação SindusCon-SP 14/10/2016 13:51:44

Contratar a construção de estruturas de concreto armado pagando com base em metros cúbicos não é a melhor opção. Esta é a conclusão de uma pesquisa realizada pela equipe da FDTE que atua na revisão das composições do Sinapi – Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil. A pesquisa “Variação da produtividade da mão-de-obra em função da tipologia adotada para a estrutura de concreto armado”, de autoria do professor Ubiraci Souza e das arquitetas Mariana Damião e Talitha Nascimento e da engenheira civil Camila Seiço Kato, mostrou que é preciso ter cuidado com esse tipo de contratação. O professor Ubiraci Souza, coordenador da equipe da FDTE, explica que para a comparação foram escolhidas duas tipologias estruturais. Uma estrutura de concreto armado com pilares, vigas e lajes moldados em modo convencional foi comparada com as paredes de concreto do programa Minha Casa Minha Vida, processo que constrói a parede junto com a laje, utilizando painéis de forma de alumínio pequenos.

FDTE. Data 28/09/2016. Foto: Zé Carlos Barretta/Divulgação FDTE.Para construir uma estrutura de concreto armado é necessário o molde, que é a fôrma, a armação de aço e a concretagem. Quando se olha o produto final e é preciso contratar um empreiteiro para executar os três serviços, os contratantes costumam achar fácil levantar propostas de preço por metro cúbico. Entretanto, o esforço que se faz por metro cúbico varia muito em função do produto e do processo de construção, o que influencia no custo final. O professor Ubiraci afirma que em São Paulo a maioria das empresas contrata por metro cúbico e, por incrível que pareça, o jeito de contratar impede, por exemplo, o desenvolvimento de projetos e de processos mais eficientes. “Um projeto com menos pilares (de maiores dimensões) e com uma laje plana (com menor quantidade de vigas) é uma solução muito mais econômica. Embora possa consumir mais concreto, economiza em forma, e o balanço final de custos é positivo”, afirma.

É usual o contratante definir preços por m³ a serem pagos para estruturas de concreto armado bastante diferentes. Em uma o empreiteiro é beneficiado, mas perde em outra, porque o produto construído demanda esforços muito distintos. A equipe de pesquisadores da FDTE demonstrou, por exemplo, que o homem hora por metro cúbico varia muito nos dois processos comparados.

“Em relação à questão se é justo pagar o mesmo valor por metro cúbico de estrutura de concreto, a nossa resposta é não, porque varia muito o esforço demandado, tendo nosso artigo mostrado o quanto varia”. O professor explica que esse é o resultado direto da pesquisa, mas que tem vários indiretos. “Apresentamos o resultado de qual é o esforço em cada um dos processos, do molde, da armação, da concretagem, oferecendo um caminho para o gestor fazer uma melhor avaliação no próximo serviço a ser executado”. De acordo com o professor Ubiraci, o trabalho tem vários subprodutos. Além de permitir que se compare um novo projeto com o que acabou de ser contratado para decidir se tem que pagar mais ou menos, “o resultado da pesquisa pode, por exemplo, ser utilizado para organizar o trabalho na obra, definir a quantidade de mão-de-obra necessária e o que cada trabalhador deve fazer. Este foi o trabalho vencedor”, afirma.

Gerando conhecimento
O Entac é o encontro bianual da Antac – Associação Nacional de Tecnologia no Ambiente Construído. A Antac tem um similar internacional que é o International Council for Building, CIB em inglês, que antes se chamava Conseil International du Bâtiment.  Assim como o CIB, a Antac tem grupos de trabalhos para diferentes áreas do ambiente construído e a equipe da FDTE pertence ao grupo de Gestão e Economia da Construção, cujo similar no CIB é o W-65 Organization and Management of Construction, que tem ainda o W-55 Building Economics.

A equipe da FDTE, que atua na revisão das composições do Sinapi, preparou três trabalhos para o Entac-2016. Um na área de sistemas prediais, abordando os diferentes materiais para a execução das instalações de gás, outro na área de pavimentação, estudando a produtividade na execução de guias e sarjetas com pré-moldados ou moldagem in loco, e o terceiro, que foi o trabalho premiado, tratou de estruturas de concreto armado. Para as três apresentações a equipe se valeu de um conjunto de conhecimento gerado pela FDTE nas atualizações do Sinapi e aproveitou essas informações para dar apoio à decisão de alguma questão importante em tecnologia e gestão. A pesquisa tem a orientação do professor Ubiraci Souza, que enfatiza que o trabalho nasceu de um grupo de profissionais contratados pela FDTE para fazer o projeto de pesquisa do Sinapi.

A arquiteta Talitha Nascimento, participante do grupo, explica que durante o trabalho no Sinapi a equipe entra em contato com diversos assuntos de todas as áreas da construção civil. “Fizemos uma análise separada de forma, armação e concretagem, o que gerou seis cadernos de textos. Foi um desafio fazer a apresentação de todo o assunto, resumir um trabalho grande em apenas oito minutos de apresentação, mas o resultado foi um sucesso”, comemora.

Ubiraci complementa que todas as opções analisadas são aceitas pela normalização. “Mas além do desempenho olhamos sob o prisma do custo, da rapidez, do tamanho da equipe necessária e organização do trabalho. O resultado mostra que a FDTE está gerando conhecimento e fomentando o desenvolvimento tecnológico”, afirma.

Em Instalações Prediais o desafio do grupo formado por Aline Moura, Fernanda Santos e Camila Seiço Kato e pelo professor Ubiraci Souza, era oferecer “Subsídios para a escolha do material utilizado para instalações de gás: aço, cobre e multicamada”. Este trabalho traz orientações que permitem comparar qual a produtividade do serviço com cada material e de como a instalação deve ser organizada. O grupo de Guias e Sarjetas, formado pelo engenheiro Guilherme Destri, pela técnica Priscila Siqueira e pelo professor Ubiraci Souza elaborou o trabalho “Comparação entre dois métodos para a execução de guias: utilização de componentes pré-fabricados ou moldagem por extrusão”. Um método avalia o uso de pré-moldado principalmente para guias, para depois moldar a sarjeta; o outro trata da utilização de uma pequena máquina que molda a sarjeta, muito usada em conjuntos habitacionais. Também neste caso a equipe apresentou dados visando demonstrar a melhor opção.









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