Meio Ambiente

Especialistas debatem aproveitamento de água de chuva

Apresentações também trataram da redução de custos operacionais

Por Daniela Barbará 28/11/2019 12:06:07

O professor Plínio Tomaz deu início ao quarto painel do Seminário Conservação de Água e Uso de Fontes Alternativas em Edificações – Diferencial Competitivo para Empreendimentos, na tarde do dia 27 de novembro.

Em sua apresentação sobre a Norma ABNT NBR 15527: 2018 – água de chuva – aproveitamento de coberturas em áreas urbanas para fins não potáveis – requisitos, o especialista em Recursos Hídricos ressaltou que a tecnologia vem crescendo e dando ênfase à conservação de água. “Além de proporcionar economia de água potável, contribui para a prevenção de enchentes causadas por chuvas, especialmente em regiões onde a superfície tornou-se impermeável impedindo a infiltração da água”.

Segundo o professor, os motivos que levam à decisão para se utilizar água de chuva são basicamente os seguintes: conscientização e sensibilidade da necessidade da conservação da água; região com disponibilidade hídrica menor que 1.200 m3 /habitante x ano; elevadas tarifas de água das concessionárias públicas; retorno dos investimentos (payback) muito rápido; instabilidade do fornecimento de água pública; exigência de lei específica; locais onde a estiagem é maior que 5 meses; e locais ou regiões onde o índice de aridez seja menor ou igual a 0,50.

De acordo com Tomaz, as diretrizes básicas para o aproveitamento de água de chuva em áreas urbanas para fins não potáveis devem ser para os seguintes usos: descargas em bacias sanitárias, irrigação de gramados e plantas ornamentais, lavagem de veículos, limpeza de calçadas e ruas, limpeza de pátios, espelhos d’água e usos industriais. “A água de chuva será usada para fins não potáveis, não substituindo a água tratada com derivado cloarado; e flúor, usada para banhos, fazer comida ou ser ingerida, distribuída pelas concessionárias públicas”.

Quota Ambiental

O detalhamento da legislação municipal de São Paulo sobre Quota Ambiental foi apresentado por Milene Abla Scala, vice-presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (Asbea).

Em sua participação, Milene apontou que a Quota Ambiental corresponde a um conjunto de regras dos lotes com objetivo de qualificá-los ambientalmente, tendo como referência uma medida de eficácia ambiental para cada lote, expressa por um índice que agrega os indicadores de Cobertura Vegetal (V) e Drenagem (D).

Estão isentos de aplicação de Quota Ambiental: lotes com área inferior ou igual a 500 metros quadrados, porém é obrigatória a reservação de controle de escoamento superficial; imóveis inseridos no perímetro da Operação Urbana Centro ou Taxa de Ocupação (TO) existente e regular superior a 0,7, porém obrigatória a reservação de controle de escoamento superficial; e reformas com alteração de área construída até 50% ou alteração da TO até 20%.

Milene ressaltou também os incentivos de certificação, como desconto na contrapartida financeira de Outorga Onerosa de Direto de Construir, para novas edificações que obtiverem certificação específica de sustentabilidade que seja reconhecida no âmbito nacional ou internacional.  O incentivo é concedido conforme grau de certificação pretendido pelo proponente; passa a ser concedido para edificações de uso residencial, não residencial ou misto; e não será cumulativo ao Incentivo de Quota Ambiental

Água Subterrânea

O presidente da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (Abas), José Paulo G. M. Netto, destacou a importância desse recurso natural. “Temos 62,7 vezes mais água subterrânea do que água superficial no planeta. Além disso, no Brasil temos 2,5 milhões de poços tubulares e mais de 3,5 milhões de poços escavados/nascentes”, afirmou.

Netto ressaltou que 30% do abastecimento privado são direcionados para uso doméstico, enquanto 24% vão para agricultura e pecuária. Os seguintes destinos são: abastecimento múltiplo, abastecimento público urbano, abastecimento industrial e outros (lazer etc).

Entre os benefícios do uso se água subterrânea, o presidente da Abas destacou que previne o desabastecimento das populações, uma vez que não temos água superficial suficiente para suprir a demanda. Além disso, qualquer pequena alteração no fornecimento de água pode causar grandes efeitos na economia, como elevar os custos par a indústria, turismo, serviços, hospitais, shoppings, comércio, condomínios e para a própria sociedade. “A indústria brasileira perde competitividade, causa impactos para o crescimento econômico do país e afeta a liberdade econômica”, afirmou.

Por fim, Netto listou mais alguns benefícios do uso do recurso hídrico: segurança no abastecimento, forte redução nos custos com água, preserva recursos naturais, garante qualidade e é uma vantagem competitiva nos empreendimentos.

Sistemas de tratamento

Economia na conta de água, baixo custo de implantação, alinhamento com a preocupação ambiental, preservação de mananciais de água, otimização do sistema de abastecimento de água potável e minimização da possibilidade e da intensidade de enchentes. Essas são as principais vantagens do aproveitamento de águas pluviais em empreendimentos comerciais e residenciais, apontados pela engenheira Sibylle Muller, da Acquabrasilis.

“O aproveitamento de água de chuva pode ser usada para regas de jardins, canteiros e gramados, descargas em vasos sanitários e mictórios, lavagem de áreas externas e veículos, sistemas de resfriamento a água; reservas técnicas de incêndio e espelhos d´agua e chafarizes”, destacou em sua participação, ressaltando que a NBR 15527:2019 determina água de chuva como aproveitamento de coberturas em áreas urbanas para fins não potáveis.

Tratamento de esgoto

O custo de investimento de R$ 600 mil somado ao custo operacional de R$ 9.650 por mês apresentou como Retorno de Investimento (ROI) uma economia de água da companhia de R$ 40 mil por mês em um período de um ano e meio. Este é o resumo do estudo e concepção do projeto que determinava água de reuso para atender a demanda da torre de resfriamento do tradicional hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, a partir de efluentes gerado nos apartamentos por meio de biorreatores com membranas.

O case foi apresentado por Luana di Beo Rodrigues, engenharia de produção e de segurança do trabalho do Centro Internacional de Referência Em Reuso de Água da Universidade de São Paulo (Cirra USP), que detalhou as implantações realizadas no empreendimento inaugurado em 1923 e que tem uma área de seis andares com 3 restaurantes, 239 quartos e uma lavanderia.

“A adoção de tecnologias avançadas favorece a pratica do reuso e é fundamental o estabelecimento de padrões de qualidade para água de reuso destinada à diferentes fins. Atualmente, a decisão pela implantação de um projeto de reuso deve levar em consideração o custo de não ter água disponível”, apontou Luana.

Redução de custos

Irimar Palombo, coordenadora de Infraestrutura na gerência de Engenharia e Infraestrutura do Serviço Social do Comércio (SESC São Paulo) apresentou o case empreendimento de lazer: gestão da água (planejamento do uso, operação e manutenção em empreendimentos). “A crise hídrica no fez olhar para dentro e buscar novas soluções em nossas 40 unidades operacionais sem que nossos 29 milhões de usuários por ano tivessem qualquer tipo de prejuízo”, afirmou.

Como estratégia foi adotada uma operação sustentável com diretrizes gerais envolvendo os pilares de gestão, meio ambiente, econômico e social. Entre os principais resultados está a queda de consumo per capita de litros por pessoa de 100 em 1980 para 25 em 2020 (previsão). “Em 2013 consumíamos um milhão de metros cúbicos de água em 400 piscinas olímpicas para um público de 24 milhões. Em 2018, foram 722 mil metros cúbicos em 289 piscinas olímpicas para um público de 29 milhões”, apontou. Como resultado, o Programa de Consumo Responsável de Água gerou uma economia de R$ 10,8 milhões de 2015 a 2018.

Entre os maiores consumidores do sistema SESC-SP estão vestiário/cozinha, limpeza geral, irrigação e retrolavagem e aspiração de piscinas. ”Uma série de medidas de redução de consumo foram adotadas nos últimos anos e para o futuro todos os novos projetos já nascerão com estações de tratamento de esgoto”, afirmou Irimar.

Por fim, Irimar destacou outras ações do sistema SESC como monitoramento constante. “Atualmente fazemos acompanhamento e cooperação técnica às unidades com maior consumo; adotamos software de gestão de contas de consumo de água, gás e energia; e, monitoramento diário do consumo total e per capita de água e identificação de possíveis desvios”.

Realização

O Seminário Conservação de Água e Uso de Fontes Alternativas em Edificações – Diferencial Competitivo para Empreendimentos é uma realização do SindusCon-SP em parceria com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), Abes-SP (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, Seção São Paulo), Abrasip (Associação Brasileira de Engenharia de Sistemas Prediais), CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Cirra/USP (Centro Internacional de Referência em Reuso de Água da USP) e Fecomercio-SP.

Leia mais em:

https://sindusconsp.com.br/cbic-lanca-guia-sobre-normas-referentes-aos-recursos-hidricos-na-construcao-civil/

https://sindusconsp.com.br/conservacao-da-agua-deve-preceder-solucoes-de-reuso/

https://sindusconsp.com.br/seminario-lanca-normas-e-guias-para-racionalizacao-do-consumo-de-agua/

 









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