Escalada de preços dos insumos prejudica contratos 

Rafael Marko

Por Rafael Marko

Escalada de preços dos insumos prejudica contratos 
Presidente do SindusCon-SP, Odair Senra

A escalada de aumentos de preços dos insumos e seu desabastecimento estão se tornando alarmantes, prejudicando os contratos em andamento da construção e a orçamentação dos próximos. Este é o teor de artigo de Odair Senra, presidente do SindusCon-SP, publicado na Coluna Fiabci-Brasil, em O Estado de S. Paulo, edição de hoje (2/3/2021).

Se este processo não se interromper, o PIB da construção neste ano poderá cair, afetando negativamente o PIB nacional e a recuperação do emprego, diz o texto. Destaca que, com raras exceções, tem sido infrutífero o diálogo com os fabricantes de insumos para a busca de alternativas aos aumentos. E adverte que os fornecedores também poderão sofrer prejuízos, com o encolhimento de seus pedidos.

É a seguinte a íntegra do artigo:

Aumentos de preços de materiais de construção  ameaçam o crescimento econômico e o emprego  

Construtoras sofrem prejuízos crescentes  e o problema já afeta  programas como o Casa Verde e Amarela 

A escalada de aumentos dos preços dos materiais de construção e os atrasos em sua entrega, que se iniciaram em junho de 2020, não se interromperam desde então e prosseguem nestes dois primeiros meses de 2021.

Esta situação começa a provocar sérios prejuízos financeiros e desabastecimento à indústria da construção de todo o Brasil.

Se a escalada de preços dos materiais não cessar, o resultado será nova queda do PIB da construção, em vez do aguardado aumento. Diante do peso da construção na economia nacional, esta queda afetara negativamente o próprio crescimento econômico do país esperado para 2021 e a consequente geração massiva de emprego e renda.

O impacto no Estado de São Paulo pode ser verificado nos percentuais de aumentos dos custos das construtoras na aquisição de alguns dos principais insumos, em janeiro de 2021 na comparação com dezembro de 2020, e no acumulado de 12 meses até janeiro de 2021, de acordo com o levantamento do CUB (Custo Unitário Básico), calculado pela FGV (Fundação Getulio Vargas), conforme mostra a tabela deste artigo.

Variação do custo de materiais de construção no Estado de São Paulo 

Material          Variação jan/21     Variação em 12 meses 

Fio de cobre          2,28                            49,96

Cimento                1,85                             33,75

Aço                        7,69                            33,18

Tubo de ferro         9,93                            29,76

Tubo de PVC         2,65                            23,32

Bloco de concreto 1,57                             16,14

Vidro                      6,65                            15,44

Concreto                1,72                            12,52

Bloco cerâmico      2,53                            12,47

Tinta branca           0,60                             9,34

Azulejo                   1,80                             9,00

Marmitex                 0                                 8,03

Brita                        1,68                             7,16

Areia                       0,86                             6,91

A situação está ficando insustentável. Muitas construtoras relatam aumentos acima destas médias. Diversos fornecedores já estão informando que farão novos aumentos nos próximos meses.

Os prazos de entrega foram dilatados, prejudicando os cronogramas de execução das obras. Um fabricante chegou a informar que não pode mais dar prazo de entrega, porque ele próprio está sofrendo problemas de seus fornecedores de matérias primas.

As consequências desta situação estão se agravando. Nos contratos privados em andamento, o repasse desses custos aos preços das obras não entrou na previsão dos seus adquirentes, o que poderá ocasionar inadimplência e distratos.

Nos contratos de obras públicas, a tendência é a busca, pelas construtoras, do reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos. Se houver recusa dos órgãos públicos contratantes, a judicialização desses reajustes será inevitável.

Já em relação ao fechamento de novos contratos de construção, há dificuldade crescente em realizar a orçamentação, em face da imprevisibilidade do ritmo de aumentos de preços dos insumos. Por conta disto, as metas de contratação de programas habitacionais como o Casa Verde e Amarela estão ameaçadas.

A indústria da construção tem buscado dialogar com as fabricantes de materiais e suas entidades representativas, para que sustem esta injustificada escalada de preços. As tentativas foram infrutíferas.

Parte da indústria de materiais de construção afirma estar sofrendo dificuldades na aquisição de seus insumos. Ou responsabiliza a elevação do câmbio. Ou alega não ter recuperado a capacidade de produção anterior à pandemia. O fato é que, com raras exceções, está havendo impermeabilidade ao diálogo para se encontrarem alternativas à escalada dos preços.

A situação está evoluindo de maneira alarmante e, a continuar neste ritmo, acabará prejudicando a própria indústria de materiais de construção, que assistirá ao encolhimento do volume de seus pedidos.

Por Odair Senra, presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Construção), Membro Principal da Fiabci-Brasil

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