Entidades discutem cidades com sustentabilidade
Por Rafael Marko
Ex-ministra do Meio Ambiente participou de reunião
A aproximação do setor da construção com Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) para modelar um desenvolvimento urbano sustentável foi tema de reunião conjunta do Comitê de Habitação Popular do SindusCon-SP e da Vice-Presidência de Habitação do Secovi-SP, conduzida por Daniela Ferrari, vice-presidente das duas áreas, em 17 de setembro.
Participaram do encontro Phillip Yang, presidente do Instituto Urbem e conselheiro consultivo e internacional do Cebri; Fernanda Cimini, diretora de Projetos do Cebri; Izabella Teixeira, conselheira consultiva internacional do Cebri e ex-ministra do Meio Ambiente; Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP, Ronaldo Cury, vice-presidente de Relações Institucionais do SindusCon-SP, e Ely Wertheim, presidente executivo do Secovi-SP.
Na abertura da reunião, Yorki Estefan destacou que SindusCon-SP e Secovi-SP estão “unidos na promoção de uma construção cada vez mais eficiente e sustentável. Entre nossas ações, estamos sintonizados com a importância do tema das cidades inteligentes. Neste sentido, ficamos bastante interessados em conhecer o Cebri e seus planos”.
Ely Wertheim apresentou o Instituto Ampliar, de capacitação profissional de jovens, convidando as empresas a se tornarem suas mantenedoras.
Remodelando cidades
Philip Yang afirmou que o Cebri pretende criar um espaço em que o setor empresarial da construção amplie suas respostas aos desafios do mundo digital e no cenário das mudanças climáticas, aproximando-se do projeto Global Polis daquela entidade. Ele convidou o setor como poderia participar mais das transformações nessas duas áreas. Segundo ele, as soluções climáticas e os fundos para tanto precisam chegar às cidades. As construtoras se tornarão empresas de tecnologia, prosseguiu.
Fernanda Cimini apresentou as cinco agendas do Global Polis: a questão das cidades, segurança climática, segurança pública, território digital e comunicação, engajamento e implementação. O projeto será lançado na próxima semana em Nova York e será levado ao governo brasileiro de transição, após as eleições. Segundo ela, SindusCon-SP e Secovi-SP poderiam se tornar parceiros institucionais fundadores, participar da agenda de ações, mobilizar empresas e patrocínios e selecionais empresas para pilotos de inteligência territorial.
Izabella Teixeira afirmou que os empresários brasileiros precisam estar presentes nos fóruns internacionais que discutem o clima, e não só as ONGs.; e também participarem ativamente das políticas urbanas relacionadas ao clima. Na Amazônia, comentou, a única coisa organizada é o crime. O Brasil tem todas as alternativas para a transição energética, porém é ineficiente, como demonstram “jabutis” inseridos nas legislações energéticas. De acordo com Izabella, os empresários precisam se organizar para o mundo que vem na estabilidade do clima, plantando áreas verdes, neutralizando emissões e removendo carbono; na defesa e na segurança de dados; e na Inteligência Artificial. O setor privado precisa levar pautas concretas ao governo, afirmou.
Daniela Ferrari afirmou que a proposta do Cebri é bem-vinda. Comentou que o setor teme mexer no meio ambiente, mesmo fazendo melhorias como regeneração de terrenos. Ronaldo Cury lembrou o exemplo de planejamento urbano da cidade de Maringá, com déficit habitacional zero, 100% de saneamento e educação em período integral. Ely Wertheim afirmou que o setor da construção ainda sofre insegurança jurídica, dentro um Estado controlador, e com agentes públicos que criam dificuldades ao setor. E o Legislativo que poderia mudar o sistema, se locupleta com ele.
Atuação das entidades
Daniela Ferrari relatou as últimas atividades das entidades na área habitacional, como o acompanhamento da proposta de elaboração de um código de obras nacional, junto ao Ministério das Cidades, e de um código estadual, junto ao governo de São Paulo; o trabalho do Grupo de Trabalho que trata da inadimplência e outros temas junto à Caixa Econômica Federal, como a transferência intermediada; a iniciativa de trazer mais emendas parlamentares destinadas ao programa Minha Casa, Minha Vida; o aumento em R$ 500 milhões dos subsídios do programa; as mudanças positivas no programa Saneamento para Todos; a busca de recursos para quitar os pagamentos em atraso do programa Pode Entrar e viabilizar as próximas contratações; proposta de reajuste dos valores e das rendas familiares do programa Casa Paulista.
Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, apresentou os dados de vendas e lançamentos imobiliário até julho na cidade de São Paulo, com prevalência das unidades do programa Minha Casa. Segundo ele, agosto deve ter ainda mais lançamentos deste programa do que em julho.
Luis Mendes, consultor do Secovi-SP, apresentou os dados da execução até julho dos orçamentos do FGTS e do SBPE, com destaque para o crescimento nos financiamentos à aquisição e construção de unidades habitacionais. No programa Minha Casa, continuou o aumento dos financiamentos na Faixa 4. Em São Paulo, a Faixa 1 deixou de ser destaque, mas o volume de recursos à produção cresceu expressivamente.