CTQ discute ensaios dos ventos
Por Rafael Marko
Reunião também abordou qualidade dos materiais
Ação dos ventos, qualidade dos materiais e as recentes mudanças decretadas pela Justiça na Lei do Zoneamento de São Paulo foram alguns dos temas debatidos na reunião do CTQ (Comitê de Tecnologia e Qualidade) do SindusCon-SP, conduzida por Roberto Pastor, seu coordenador, com a participação de Yorki Estefan, presidente da entidade, em 10 de setembro.
Estefan relatou as últimas atividades da Presidência, como: reuniões com os candidatos Ronaldo Caiado, Gilberto Kassab, Guilherme Derrite e Thomé Abduch; assinatura do manifesto sobre a crise do STF; Prêmio Master Imobiliário; lançamento das Trilhas Profissionais; reuniões com Paulo Skaf, presidente do STF, sobre a redução da escala de trabalho 6×1; apresentação do SindusCon-SP em reunião do Desin/Fiesp; workshop sobre encargos sociais na redução da escala e reunião do Cempre (Comitê de Empreiteiros) sobre reforma tributária.
O presidente do SindusCon-SP ainda alertou sobre a necessidade de um esquema para o recebimento de plataformas, e de empresas que estão apresentando orçamentos inexequíveis.
Roberto Pastor apresentou os próximos cursos da Universidade Corporativa SindusCon-SP, convocou as empresas a inscreverem seus funcionários nos cursos do Programa de Qualificação mantido com o Senai-SP, e manifestou a expectativa de que comece a haver participação dos trabalhadores das empreiteiras nesses cursos.
Ação dos ventos
Cristina Benia, diretora da Windtech, fez uma apresentação sobre a ação dos ventos em edifícios, inclusive altos. Comentou que normas de vento são conservadoras e às vezes incompletas, não se ajustando à arquitetura moderna. Apontou os fatores a serem observados nos ensaios de vento, como a interferência das edificações e de terrenos vazios na vizinhança do empreendimento.
Mostrou um estudo de caso de ensaios de ventos para os projetos de três edifícios altos em Dubai. Disso resultou a recomendação de se inverter a ordem de construção desses edifícios. Também mostrou um estudo de caso de um projeto de edifício em São Paulo, que resultou em mudanças de cargas. Comentou as limitações normativas da NBR 6123/23, demandando revisão. Informou que os ensaios realizados pela Windtech em seus três túneis de vento na Austrália levam em conta análises climáticas atualizadas e análises de terreno. Para edifícios altos e esbeltos, são feitos ensaios em túnel de vento aeroelástico. Eventos climáticos extremos, pressões internas, fechamento de sacadas, conforto de pedestres, helipontos, árvores em pavimentos altos e ruído induzido pelo vento também requerem procedimentos específicos nos ensaios.
Mudanças no zoneamento
Olivar Vitale, membro do Conselho Jurídico do SindusCon-SP, relatou os efeitos da decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade sobre o Plano Diretor do Município de São Paulo e a Lei de Zoneamento: a revisão realizada na Lei de Zoneamento em julho de 2024 foi considerada inconstitucional, com manutenção do mapa dessa lei até o trânsito em julgado. Os efeitos nos projetos protocolados poderão cair na insegurança jurídica a partir da publicação do acórdão do TJ, o que poderá acontecer nas próximas semanas. A Prefeitura deverá manter a aprovação dos projetos com base no mapa de julho de 2024 até o trânsito em julgado.
Meio ambiente
Francisco Antunes de Vasconcellos Neto, vice-presidente de Meio Ambiente, informou que em 16 de setembro haverá um evento sobre construção com baixo carbono em Pernambuco, onde será apresentada CECarbon. No dia 24 de setembro, acontecerá no SindusCon-SP o Seminário de Soluções Baseadas na Natureza no Desenvolvimento Urbano, onde será lançado o guia a respeito, elaborado pela Câmara Ambiental da Construção da Cetesb. Em 29 de setembro, acontecerá um webinar sobre gestão de resíduos na construção – atualizações, tendências e soluções para fortalecer a logística reversa e a economia circular nessa gestão.
Vasconcellos informou que em 1º de dezembro haverá o encontro anual do Comasp para discutir as estratégias para o futuro. Informou ainda sobre as últimas atividades, como a assinatura da parceria com a Caixa Econômica para a utilização da CEHídrica no Selo Casa Azul+ daquela instituição. Outra parceria para o uso das ferramentas do Comasp foi assinado pelo Sinduscon-Rio e pela Ademi RJ.
Qualidade dos materiais
Jairo Cukierman, diretor da Tesis, abordou a redução do custo de assistência técnica propiciada pela qualidade dos materiais. Mostrou exemplos de torneiras que se dissolveram na resistência à corrosão, janelas não conformes, cabos elétricos fora de norma e pisos cerâmicos empenados. Além dos ensaios, a empresa realiza auditorias não anunciadas previamente, a cada três meses, na indústria e no comércio de materiais, e coletas em obras, sem custo para as construtoras. Os resultados são publicados nos sites da Tesis e do PBQP-H.
Segundo Cukierman, os indicadores de qualidade dos programas setoriais da qualidade hoje estão acima de 90%. No combate à não conformidade, mais de 100 TACs foram assinados a partir das denúncias dos programas. Em fios e cabos elétricos, as não conformidades têm aumentado. Mostrou ainda os benefícios de se adquirirem materiais certificados e de programas setoriais da qualidade, e os ensaios que a empresa realiza, inclusive de sistemas inovadores.
Ruídos das obras
Carolina Monteiro, CEO da Otoh Monitoramento Sonoro Inteligente, abordou as evidências para segurança, gestão e relacionamento com a vizinhança dos ruídos de obras em São Paulo. Informou que as reclamações em relação aos ruídos aumentaram. Observou que a NBR 10151/19 não estabelece limites para emissões sonoras dos canteiros, o que fica a cargo dos municípios – em São Paulo, por meio do Decreto 60.582/21 que vigorou até junho, quando foi declarado inconstitucional pelo TJSP. A Otoh fez uma pesquisa em 17 canteiros. A média de emissões ficou em média dentro da legislação, nos horários permitidos, o que não acontece nos demais. Sem o decreto, fica valendo a NBR 10151, embora o município ainda aplique o decreto administrativamente.
Metais da Roca
Os representantes da Roca Bruno Bastazini, supervisor de vendas; Leandro Parra Boriero, analista técnico sênior; Gustavo Rosa, gerente comercial; Fernanda Machado Santos e Joana Jesus, arquitetas, fizeram uma apresentação sobre os metais sanitários da empresa. Ao recebê-los, Roberto Pastor, afirmou que “nossa parceria com a Roca é sólida e tem se mostrado benéfica para nossas associadas. O que nos une é a busca contínua da qualidade e da produtividade.” Ele também reiterou o agradecimento à empresa pelo patrocínio à comemoração dos 30 anos do CTQ, no que foi secundado por Estefan.
Gustavo Rosa chamou a atenção para a certificação dos produtos da companhia, diferentemente do que acontece com importados. Louças e metais são percebidos pelo consumidor, afirmou, destacando que o portfólio atende desde o Minha Casa até imóveis de alto padrão.
Leandro Boriero disse que a empresa valoriza o design com propósito. Discorreu sobre a produção de metais sanitários acima dos requisitos técnicos da ABNT, que contam com atestado de qualidade do PBQP-H e proporcionam garantia completa de dez anos. Projetos para empreendimentos específicos podem ser desenvolvidos, disse. E afirmou que a garantia dos produtos dada à construtora pode ser transferida para o cliente final.
Fernanda Santos afirmou que a empresa dá suporte aos projetos das empresas. O portfólio de metais da marca Celite está migrando para a marca Roca, com os mesmos preços, disse. Ela e Joana Jesus apresentaram os diversos produtos com suas tecnologias e seus designs, e itens de sustentabilidade. Bruno Bastazani informou que a empresa dispõe de um time de especificadoras para dar atendimento às construtoras, dentro de um relacionamento com qualidade.