CTQ debate edifícios altos e reforma tributária
Por Rafael Marko
Indicadores de produtividade e outros temas em pauta
Temas como construção de edifícios altos, reforma tributária, sustentabilidade indicadores de produtividade e de segurança do trabalho foram debatidos na reunião do CTQ (Comitê de Tecnologia e Qualidade) do SindusCon-SP, conduzida por seu coordenador Luis Bueno, com a participação de Yorki Estefan, presidente da entidade, em 11 de setembro.
Estefan relatou as últimas atividades da Presidência, entre as quais reuniões com: executivos do Santander e do Bradesco; o movimento das Entidades do Mesmo Lado; o COI (Comitê de Obras Industriais) do SindusCon-SP; secretários municipais de Habitação de São Paulo, Sidney Cruz, e de Urbanismo e Licenciamento, Elisabete França (com resultados muito positivos em relação a pleitos de mudanças na regulamentação dos empreendimentos de habitação popular e à movimentação das lanças das gruas sobre as ruas); alinhamento das entidades do setor; deputados Fernando Marangoni e Ricardo Salles, sobre pleitos de aperfeiçoamentos legislativos; presidente eleito da Fiesp, Paulo Skaf, que concordou com pleitos do SindusCon-SP; workshop sobre ligações de energia com o presidente da Enel São Paulo, Guilherme Lancastre (com resultados positivos); governador de Minas Gerais, Romeu Zema; Seminário de Estruturas da entidade, e entrevistas para imprensa. Em 15 de setembro, Estefan participará de reunião setorial com o ministro das Cidades, Jader Filho, em São Paulo.
Prédios altos
Flávio Cuperman, membro do CTQ, e Sumaia Sleiman Gonçalves, gestora responsável pelos projetos da Cyrela, fizeram uma apresentação sobre três prédios altos e três em desenvolvimento daquela companhia. Uma série de mudanças são necessárias em função da complexidade da edificação, requerendo muito cuidado no planejamento e na escolha, segundo Sumaia. Destacou os detalhes do Projeto Vista Veneza, com 18 variações de fôrmas, múltiplos materiais de fachada, exigências estéticas da Armani, 12 opções de plantas-tipo além de possibilidade de personalização, e padrão luxo da companhia.
Sumaia apontou o túnel de vento como um dos pontos de atenção, requerendo ensaios prévios para a definição do conceito arquitetônico pelo arquiteto, concepção técnica com novos ensaios para as fôrmas e outros necessários para tocar o projeto adiante, tomando cuidado em relação ao impacto da envoltória sobre os edifícios adjacentes. Núcleos rígidos e fôrmas arredondadas são necessários, com atenção para os caixilhos escamoteáveis e outros itens.
Um dos desafios é manter os grandes vãos, para o que houve a contribuição técnica da França & Associados, mediante sheear walls no núcleo das torres, pilares de 39 a 49 cm, pilares caixas dos elevadores, capitéis com H=30 a 35 cm, lajes protendidas de 18 a 20 cm e pilares poligonais em formato de L. Nas vedações, bloco e vedação em 5 MPs, e alvenaria mais drywall em shafts, montante de 48+1, chapa ST/RU ou perfil de forro F530.
Banda acústica no perímetro com preenchimento de lã mineral será colocada para atenuação acústica em suítes. O empreendimento tem etapas de escavação e fundações de 11 meses, mais 36 meses até a conclusão da obra. As equipes trabalham juntas visando reduções de prazos pré-obras, estudando as etapas de contratação e execução vis a vis ao cronograma de projetos. Vão atuar na construção 2 cremalheiras e 2 graus, as fôrmas serão de madeira e metálicas buscando a terminalidade do serviço em concreto aparente. Haverá plataformas cremalheiras para atender fechadas ventiladas, sempre iniciando os serviços assim que disponível. A execução de fachadas argamassadas será sem uso de balancim e os terraços no perímetro das torres com 1 m no mínimo para viabilizar a execução no andar.
Nas abas em concreto aparente, será adotada classe de agressividade ambiental adequada, uso de cimento com baixo teor em escórias e cuidados com escolhas das cores e aditivos. Para manutenção, haverá uma gôndola que os usuários poderão utilizar para subir seus móveis e outros itens. Cuidados serão tomados para o paisagismo nas alturas, ancorando os exemplares arbóreos de grande porte e irrigação e drenagens automatizados,
Como reflexões, Sumaia citou integração antecipada de incorporação e engenharia, ensaios em túnel de vento como decisivos para decisões, planejamento da logística vertical influenciando o arquitetônico desde o início, materiais e sistemas de alto desempenho e conceito de manutenção pensado desde o projeto.
Para o futuro, a arquiteta apontou o surgimento de novas especializações; a necessidade de engenheiros de túnel de vento e consultores de manutenção vertical; tecnologia integrada com uso de BIM 7D e digital twins; parcerias internacionais estratégicas com quem já fez edifícios altos no exterior; elaboração de novas normas técnicas, e pensar de forma planejada, antecipando ciclos da obras e a produtividade.
Empreiteiros
Renato Genioli, vice-presidente Financeiro, informou sobre a criação do Cempre, novo comitê do SindusCon-SP que congrega empreiteiros, para uma aproximação mútua, a discussão e o encaminhamento de soluções para questões conjuntas, a qualificação para aperfeiçoamento profissional e incremento da produtividade, a possibilidade de participarem dos diversos programas da entidade de atração de mão de obra e responsabilidade social, e orientações sobre a aplicação da reforma tributária. Genioli convidou as empresas para indicarem ao menos cinco empreiteiros com maior representatividade para participar do comitê, e solicitou aos representantes das empresas que os indicarem que também participem do Cempre. A primeira reunião será em 23 de setembro, às 14h30, no Seconci-SP (Serviço Social da Construção).
Reforma tributária
Rodrigo Giarola, coordenador do Conselho Jurídico, informou sobre a participação ativa do SindusCon-SP nas quatro reuniões com a Receita Federal e o Comitê Gestor, oferecendo as propostas para a regulamentação da reforma tributária, a última das quais tratou especificamente da construção e infraestrutura. Daí deverão vir os decretos de regulamentação da CBS e do IBS (Contribuição e Imposto sobre Bens e Serviços), possivelmente no final deste mês. A regulamentação da tributação sobre obras públicas virá em regulamentações de cada agência ou órgão públicos, com regras para a reestruturação dos contratos.
Relatório do senador Eduardo Braga foi publicado em 10 de setembro sobre o tema, com propostas de alterações legislativas para aperfeiçoamento da matéria, que incluem algumas das propostas do SindusCon-SP. Giarola chamou a atenção para o cuidado que as empresas deverão ter, preparando-se em relação às mudanças, orientando os empreiteiros a respeito e renegociando preços com fornecedores e clientes. Ele ainda convidou as empresas para participarem do Congresso Jurídico do SindusCon-SP, em 7 de outubro, que tratará de licenciamento ambiental, reforma tributária, contratos de seguro, questões trabalhistas e habitação popular.
Próximas ações
Bueno informou que a reunião dos Grupos de Trabalho (GTs) será em 14 de outubro, das 7h às 10h30. Haverá um seminário sobre fachadas leves e steel-frame com os fornecedores, em data a ser definida. Um trabalho sobre melhorias na terminalidade das obras será desenvolvido. E informou que, na seguência da reunião do CTQ, haverá encontro com representantes da Samsung, que mostrarão inovações sobre sistemas de climatização e novas tecnologias.
Normas técnicas
Rodrigo Von Uhlendorff, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade, informou que a Cobracon (Associação de Apoio à Normalização na Construção Civil, da qual é presidente), recebeu da consultora Maria Angelica Covelo uma proposta de cronograma para a atualização ou revogação de normas técnicas e a criação de novas pelo ABNT/CB002 (Comitê Brasileiro da Construção da Associação Brasileira de Normas Técnicas). Solicitou a indicação de membros das empresas para participarem da empreitada e as contribuições financeiras para viabilizá-la. Marcia Haddad, consultora da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) e sua representante no CTQ, informou que está sendo formado um grupo de estudos sobre fachadas ventiladas.
Meio ambiente
Francisco Antunes de Vasconcellos Neto, vice-presidente do SindusCon-SP, relatou o andamento dos trabalhos e eventos do Comasp (Comitê de Meio Ambiente) do SindusCon-SP. Citou: a participação no evento do setor da construção, em Brasília, preparatório à COP 30 (Conferência Internacional do Clima), com a participação do embaixador do Corrêa do Lago, e que tratou também de aspectos da sustentabilidade na construção; o trabalho do GT sobre sustentabilidade em construção, relativo aos relatórios de sustentabilidade; os avanços na elaboração da calculadora de eficiência hídrica na construção civil no GT Pegada Hídrica; a realização do webinar Gestão de Resíduos da Construção em 4 de setembro (que vai gerar novas ações do Comasp); as novas parcerias com a CECarbon, seus aperfeiçoamentos e sua divulgação na imprensa de outros estados; o curso de inventários de emissões de gases de efeito de estufa que acontecerá em 9, 13 e 15 de outubro; o webinar sobre caminhos para descarbonização na construção civil em 14 de outubro, às 16 horas, e outras reuniões e ações sobre diversos temas da construção sustentável, como resíduos.
Indicadores de segurança do trabalho
Haruo Ishikawa, vice-presidente de Capital-Trabalho do SindusCon-SP, e José Bassili, coordenador do SESMT do Seconci-SP (Serviço Social da Construção), anunciaram que esta última entidade irá elaborar indicadores de segurança do trabalho no setor.
O Seconci-SP retomará o Grupo de Trabalho sobre o tema, criado em 2017, com a participação de 17 construtoras na época, e cujos trabalhos haviam sido interrompidos em 2020, devido à pandemia. Os objetivos eram,padronizar os indicadores de segurança do trabalho das diferentes empresas do setor, conhecer os cursos gerados por acidentes do trabalho, conhecer o percentual de investimento realizado pela empresa na segurança do trabalho em relação ao custo da obra, e evidenciar os impactos negativos relacionados à imagem das empresas frente às ocorrências de acidentes.
Pesquisou-se quais os profissionais mais atingidos. Surgiram dificuldades, principalmente em relação a informações das empresas e falta de dados sobre os custos indiretos dos acidentes além daqueles das horas que deixaram de ser trabalhadas. A média de custos em relação ao custo da obra ficou em torno de 2%.
O Observatório Seconci-SP de Indicadores de Segurança do Trabalho na Construção Civil objetivará implementar o registro de acidentes das empresas que participarem do projeto, padronizando e dando visibilidade a indicadores confiáveis, o que deverá colaborar no incremento das ações de segurança nas obras. Palestras vão ser ministradas. Será coletada uma série de informações das empresas, nesta primeira fase, sem entrar na parte dos custos. A coordenação do Observatório ficará a cargo do SESMT Corporativo do Seconci-SP, com coordenação científica da Superintendência do Iepac (Instituto de Ensino e Pesquisa Armênio Crestana) daquela entidade. As empresas piloto do projeto serão de 15 a 17 empresas, para as quais não haverá custos na participação. A Gescorp disponibilizará um aplicativo para a coleta das informações que serão codificadas para manter o anonimato das construtoras. Estefan elogiou o projeto e disse ter a convicção de que os membros do CTQ indicarão seus profissionais da área para participaram do Observatório.
Ishikawa informou que a MegaSipat (Mega Semana Interna de Acidentes do Trabalho) atingiu 30 mil trabalhadores e lembrou que o ConstruSer (Encontro da Construção Civil em Família), a ser realizado em 27 de setembro, deverá reunir 20 mil participantes. Ele ainda colocou o Seconci-SP (do qual é membro do Conselho Diretivo presidido por Maristela Honda, vice-presidente de Responsabilidade Social do SindusCon-SP) à disposição para orientações, palestras e utilização de espaços na sede para reuniões das construtoras.
Produtividade
Rodrigo Von informou que avançou o trabalho visando a criação de um indicador de produtividade da construção. A medição deverá começar pela coleta dados das empresas sobre produtividade homem/hora e máquina/hora, em construções comerciais, residenciais e industriais, subdivididas em pequeno, médio e grande porte, e nos diferentes padrões. Isso deverá requerer das empresas a montagem de bancos de dados, conforme essas categorizações. A medição homem/hora deverá ser feita pela catraca e as informações do banco de dados terão as funções dos profissionais de acordo com a nova nomenclatura a ser implementada. Já a medição de máquina/hora será em cima de cada máquina, permitindo comparações.
Tiago Rossi, coordenador do COI, mostrou os estudos preliminares para a medição da produtividade naquele segmento, que esbarram na falta de padronização das empresas. Luis Bueno relatou como está conduzindo o estudo sobre a produtividade nas obras comerciais.
Os próximos passos, segundo Von: validar os três estudos, padronizar a nomenclatura, envolver os fornecedores de catraca na medição. Yorki Estefan elogiou o trabalho e recomendou que as empresas comecem a se preparar para fornecer os dados. Jorge Batlouni, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade, colocou-se à disposição para fornecer informações sobre produtividade financeira.
Tecnologia de Estruturas
Batlouni apresentou os resultados positivos do Seminário Tecnologia de Estruturas e Fundações, que reuniu mais de 220 participantes em 28 de agosto, e teve avaliações muito positivas por parte dos participantes. Roberto Clara, coordenador do GT sobre o evento, afirmou que o próximo seminário deverá abordar edifícios altos e cases de interesse sobre estruturas e fundações, e deverá ser realizado em dois dias. Estefan sugeriu a abordagem de temas impactantes como ligações para carros elétricos em garagens, responsabilidade de projetistas de fundações e das empresas de sondagens.
Carros elétricos
Lauro Ladeia, coordenador do GT Carros Elétricos, informou que o setor respondeu às diretrizes orientativas que saíram da Ligabom (associação nacional que reúne os comandantes dos bombeiros dos Estados), as sugestões que foram objeto de resposta pelo setor, e agora se está aguardando a publicação da diretriz do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo.