CTQ debate desafios ao desenvolvimento da construção

Rafael Marko

Por Rafael Marko

CTQ debate desafios ao desenvolvimento da construção

Em pauta, alta dos juros, correção de contratos pelo ICC e certificação de materiais, entre outros temas

As diversas ações em curso no SindusCon-SP para enfrentar desafios e incrementar a qualidade e a produtividade do setor foram debatidas na reunião do CTQ (Comitê de Tecnologia e Qualidade) do SindusCon-SP, conduzida por York Estefan, presidente da entidade, em 13 de fevereiro.

Estefan convidou todos à participação no Seminário Internacional de Reurbanização e Retrofit, a realizar-se em 20 de fevereiro. Relatou a reunião em que o SindusCon-SP e outras entidades levaram à Aneel o problema gerado pela Enel com os atrasos na ligação de energia nos empreendimentos imobiliários. Informou sua participação em encontro recente com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

O presidente do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia, e Jorge Batlouni , vice-presidente de Tecnologia e Qualidade, comentaram o webinar que o sindicato realizou com o Bradesco. Desenhou-se um cenário de elevação dos juros atingindo mais a classe média, e perspectivas moderadamente otimistas sobre o desempenho do financiamento imobiliário neste ano.

Estefan relatou reunião do setor da construção e do imobiliário com a Prefeitura para tratar das multas aplicadas por conta de desvios na destinação de habitação de interesse social, e recomendou que as construtoras não deixem de entregar a documentação requerida.

Certificação de materiais

Rodrigo Navarro, presidente da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), expôs em sua apresentação o andamento do programa “Conformidade para Todos” do governo, proposto por aquela entidade. O objetivo é que o mercado possa checar se os materiais comercializados estão de acordo com as normas técnicas. O código de barras dos produtos será alterado para incluir informações sobre a certificação.

Alexandre de Oliveira, coordenador do Grupo de Trabalho Pós-Obra do CTQ, alertou que cabos elétricos vendidos com o selo do Inmetro não atendem as normas, pois aquele instituto não teria condições de verificar a certificação de todos os produtos – e se houver algum problema com o material, a construtora é acusada em primeiro lugar. Rodrigo Navarro informou que o Inmetro lançará um aplicativo para que o consumidor possa aferir se o selo é falso. Mauricio Bianchi, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade, lembrou que é proibido emitir nota fiscal para venda de material fora de norma. Rodrigo von, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade, sugeriu que a nota fiscal inclua a informação sobre a certificação do produto.

Normas técnicas

Lilian Sarrouf, superintendente do CB002 (Comitê Brasileiro da Construção), da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), informou que foi iniciada a revisão da norma de sondagem; houve demanda pela elaboração de uma norma de pisos intertravados; vai-se elaborar a norma de resíduos da construção, e será retomado o grupo estudos da norma de impermeabilização. O CB002 ainda pretende elaborar normas específicas relativas à mudança climática, começando por duas: inventário de emissões de carbono e análise do ciclo de vida das edificações.

Rodrigo von, que assumiu a presidência do Cobracon (Comitê Brasileiro da Construção Civil), falou da necessidade de arrecadação de recursos junto às construtoras para viabilizar a elaboração de normas. Francisco Antunes de Vasconcellos Neto, vice-presidente do SindusCon-SP, e Estefan informaram que o SindusCon-SP também arrecadará recursos para montar uma sala de treinamentos na entidade.

Índices de custos da construção

André Braz, economista do FGV Ibre (Instituto Brasileiro da Construção da Fundação Getulio Vargas), agradeceu as contribuições técnicas apresentadas pelo SindusCon-SP para a atualização do INCC (Índice Nacional de Custos da Construção). Comentou que o INCC está mostrando uma aceleração de custos mais acentuada que o dos outros indicadores do setor, “puxado” pelos custos com a mão de obra, especialmente na cidade de São Paulo. Devido às disparidades na apuração desses custos entre as capitais pesquisadas, o FGV Ibre liberou os dados do ICC de cada uma dessas cidades. Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre, colocou-se à disposição para esclarecimentos a respeito da questão. Estefan ainda informou estar em elaboração parecer jurídico que possibilita a utilização do ICC-SP (Índice de Custos da Construção de São Paulo) para a correção dos futuros contratos das construtoras.

Eduardo Zaidan informou sobre o andamento do projeto de instituição do CUB Regional da cidade de São Paulo, para quatro padrões construtivos.

Meio ambiente e taxonomia sustentável

Vanessa Dias, superintendente do Comasp (Comitê de Meio Ambiente), apresentou as próximas atividades daquele comitê, envolvendo mudanças climáticas, eficiência energética em edificações atualizações normativas na gestão de resíduos, remediação de áreas contaminadas, melhorias na CECarbon e sua integração com o BIM, projeto de parceria com o Senai-SP sobre descarbonização, desenvolvimento da Calculadora de Pegada Hídrica e curso sobre sustentabilidade, entre outros temas. Francisco Vasconcellos relatou que Comasp, GBC Brasil e Saint-Gobain realizarão em 20 de março um workshop sobre “Oportunidades frente às novas exigências de sustentabilidade para a indústria da construção”.

Vasconcellos e Lilian relataram o andamento da elaboração da Taxonomia Sustentável Brasileira. Elaborada no âmbito de oito ministérios e dezenas de instâncias do governo federal, a taxonomia é destinada a estabelecer diretrizes para a transição rumo a uma economia com sustentabilidade, a ser apresentada na COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a realizar-se em Belém (PA), em novembro). Chamaram a atenção para oportunidades como a captação de recursos, mas também riscos, como o de essas verbas não chegarem para a habitação.

Lilian representa a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) no Conselho Consultivo da Taxonomia. Vasconcellos informou que o setor produtivo reivindica participação na elaboração dos indicadores de sustentabilidade e das metas de redução de emissões. Estefan informou que no dia 19 de fevereiro haverá reunião do movimento Construção é Mais, para tratar da Taxonomia Sustentável Brasileira.

Ligações da Enel e carregamento de carros elétricos

Wiliam Gilheta, coordenador do Grupo de Trabalho Enel, informou que prosseguirão as reuniões com dirigentes daquela concessionária, com vistas à superação dos atrasos de ligações de energia em empreendimentos imobiliários.

 Lauro Ladeia, coordenador do Grupo de Trabalho de Carros Elétricos, informou sobre o andamento da interlocução com o Corpo de Bombeiros em relação à futura instrução sobre segurança no carregamento de veículos elétricos nas edificações. Uma nova simulação está em preparação para primeira semana de abril, esperando-se que a instrução dos bombeiros a respeito do tema saia no final daquele mês.

Qualificação

Roberto Pastor, diretor da Área Educacional, apresentou as palestras e cursos da Universidade Corporativa SindusCon-SP para este semestre. Ele convidou as empresas para participarem do programa de qualificação de mão de obra mantido em parceria com o Senai-SP.

Sergio Cincurá, membro do CTQ, falou do andamento do Programa de Qualificação de Empreiteiros, iniciado neste semestre com palestra de David Fratel, coordenador do Grupo de Trabalho de RH do CTQ. Convidou as empresas a inscreverem seus empreiteiros nos próximos cursos. Jorge Batlouni informou que está sendo montada a 23ª turma do MBA de Tecnologia e Gestão na Produção de Edifícios, na Poli/USP. O curso é destinado a engenheiros de obras, com duração de dois anos. Batlouni é um dos professores do MBA.

Fabio Villas Bôas, membro do CTQ, informou que a Universidade Mackenzie registrou em 2025 aumento de 27% na vagas preenchidas em seus cursos de engenharia, em comparação a 2024.

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