CTQ discute construção industrializada

Rafael Marko

Por Rafael Marko

CTQ discute construção industrializada

Reunião também tratou de redução da jornada

A construção industrializada, as consequências da redução da jornada de trabalho e as ações voltadas à elevação da produtividade da construção foram alguns dos temas discutidos na reunião do CTQ (Comitê de Tecnologia e Qualidade) do SindusCon-SP, conduzida por seu coordenador Roberto Pastor, com a participação de Yorki Estefan, presidente do sindicato, em 12 de março.

Yorki Estefan relatou as atividades da Presidência, como a participação em reuniões com os secretários estadual da Segurança Pública e municipais da Fazenda e de Mudanças Climáticas, e nos Conselhos Deliberativo e da Indústria da Construção da Fiesp. Relatou as reuniões de Conjuntura do sindicato e com o professor José Pastor, com foco nas consequências negativas da redução da jornada de trabalho, caso seja aprovada. Informou que em 16 de março começam as eleições para a renovação do Conselho Diretor da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), sendo o SindusCon-SP uma das entidades candidatas à reeleição.

Roberto Pastor convidou à participação no Seminário Internacional de Retrofit Urbano, em 17 de março, que abordará cases icônicos de revitalização urbana em Londres e Paris e contará com a participação de autoridades municipais de São Paulo. O coordenador do CTQ convocou as associadas a inscreverem seus colaboradores nos cursos de qualificação do Senai-SP ministrados dentro dos canteiros de obras, e nos cursos da Universidade Corporativa SindusCon-SP.

Lilian Sarrouf, superintendente do CB002 (Comitê Brasileiro da Construção) da ABNT, reforçou o convite à participação das empresas e profissionais associados à ABNT na eleição para a renovação do Conselho Deliberativo daquela associação, votando no SindusCon-SP. Informou que o CB002 foi eleito recentemente para participar como representante do Conselho Técnico no Conselho Deliberativo da ABNT e que esta eleição foi importante para fortalecer o setor no âmbito da normalização e consequentemente em legislações. Relatou ainda as ações em andamento no âmbito do comitê.

Industrialização

Daniel Gispert, coordenador do CCI (Comitê de Construção Industrializada), mostrou o que o grupo SteelCorp tem realizado em termos de industrialização da construção. Comentou haver uma conjuntura de fatores favoráveis à construção off-site, como o custo cada vez mais elevado da mão de obra na construção convencional. Listou os desafios para a expansão do segmento, como a busca por financiamento e a necessidade de aculturar os arquitetos para o desenvolvimento dos projetos.

Gispert apontou as vantagens para a construção, como logística, desempenho, rapidez, sustentabilidade e redução de desperdícios, resultando um custo equivalente ou menor do que o método construtivo tradicional. Mostrou ainda diversas obras realizadas pela SteelCorp. André Glogowsky, membro do CTQ, comentou que os desafios são educar quem contrata para projetar com vistas à fabricação e fazer as construtoras se disciplinarem para fluir as fases de execução. Pastor instou as associadas a pensarem em atividades que poderiam ser objeto de industrialização para suscitar novos debates sobre o tema no CTQ.

Redução da jornada

Andréa Bucharles, integrante do Conselho Jurídico do SindusCon-SP, afirmou acreditar que até maio o Legislativo aprovará a redução da jornada para 40 horas semanais, na escala 5 X 2, sem redução de salários. Se isto ocorrer, haveria impacto de 10% na folha de pagamentos, além de outras consequências, como o agravamento da escassez da mão de obra da construção. A Fiesp está realizando um levantamento das consequências para cada segmento da indústria e vai apresentá-lo em audiência pública. O SindusCon-SP está levantando as consequências no setor, e as repassará à Fiesp.

Yorki Estefan e David Fratel, diretor-adjunto de Gente, comentaram que o Executivo e o Legislativo estão fazendo o caminho inverso, ao buscar primeiro a redução da jornada, quando o correto seria buscar primeiro a qualificação, na sequência a industrialização e medição da nova produtividade, para daí implementar a redução da jornada.

Alvarás suspensos

Roberta Simeoni, diretora adjunta de Imobiliário, comentou o andamento das ações adotadas pelo setor em relação à liminar concedida em Ação Direta de Inconstitucionalidade, suspendendo novas licenças de execução de empreendimentos e emissões de alvarás no município de São Paulo. Roberta informou que o setor está se movimentando, subsidiando a Câmara Municipal e a Prefeitura com dados relativos aos prejuízos advindos. A Procuradoria da Câmara e a Procuradoria da Prefeitura recorreram da decisão, e agora o caso será analisado por outro desembargador que não aquele que havia concedido a liminar.

Segurança do Trabalho

A prevenção de acidentes na operação de máquinas e equipamentos foi abordada por Haruo Ishikawa, vice-presidente de Relações Capital-Trabalho e Responsabilidade Social; José Bassili, gerente do SESMT Corporativo do Seconci-SP (Serviço Social da Construção) e Gianfranco Pampalon, assessor de Saúde e Segurança do Trabalho do Seconci-SP.

Bassili informou que a CNTT (Comissão Nacional Tripartite Temática) da Norma Regulamentadora (NR 18) aprovou uma proposta de remodelação das argamassadeiras, para evitar acidentes. Convidou as construtoras a se inscreverem no Prêmio Seconci-SP deste ano, realizado em parceria com o SindusCon-SP, e que incluirá uma nova categoria, que homenageará a mulher na construção. Relatou que está representando o SindusCon-SP e o Seconci-SP em um grupo do Tribunal Regional do Trabalho voltado ao trabalho seguro. E anunciou que a campanha de segurança do trabalho do Seconci-SP neste ano será de tolerância zero a acidentes e assédio.

Gianfranco Pampalon, em sua apresentação, chamou a atenção para os custos da não adoção de medidas que previnam acidentes. De acordo com o especialista, 30% dos óbitos na construção são provocados por máquinas e equipamentos. A campanha do Seconci-SP terá como foco a gestão para a prevenção. Pampalon destacou a necessidade de planejamento na operação das máquinas, atendimento das exigências contidas nos manuais dos equipamentos, escolha de fornecedores confiáveis, treinamento e capacitação, realizar inspeções e manutenções, locais de trabalho bem concebidos, e equipamentos de proteção e sinalização. “O custo do cuidado é menor que o custo do reparo”, concluiu.

Meio ambiente

Vanessa Dias, supervisora de Meio Ambiente, relatou as atividades do Comasp (Comitê de Meio Ambiente). Convidou as empresas a participarem da Jornada de Descarbonização, em parceria com a Fiesp, em 24 de março, e a visita técnica à Saint Gobain e lançamento de um novo produto de vidro, em 15 de abril. Relatou que após reunião com o Crea-SP foram suspensas as autuações.  Comentou a reunião com o secretário municipal José Nalini, de Mudanças Climáticas, e a participação na 1ª Oficina de Construção do Plano Nacional de Ação pelo Resfriamento (Pnuma e Ministério do Meio Ambiente). A CeCarbon está sendo divulgada na Expo Revestir, no estande da Saint Gobain. A CEHídrica será inscrita no Prêmio CBIC.

Carros elétricos

Lauro Ladeia, coordenador do Grupo de Trabalho Carros Elétricos, comentou a lei estadual que assegura o direito dos condôminos a carregarem seus veículos elétricos. Os empreendimentos a serem aprovados deverão ter capacidade mínima para tanto – sem que essa capacidade esteja definida na lei. Na próxima semana, deverá sair uma instrução do Corpo de Bombeiros sobre prevenção de incêndios em garagens.

Sergio Cincurá, membro do CTQ, relatou ter sido proveitosa a reunião do Cempre (Comitê de Empreiteiros), realizada em 4 de março, com a participação de Erick Viegas, coordenador do comitê, e Renato Genioli, vice-presidente Financeiro. Destacou a importância de as construtoras estimularem as empreiteiras a participarem regularmente das reuniões do Cempre.

David Fratel Junior, membro do CTQ, relatou reunião com as empresas de catracas para dar andamento à elaboração dos indicadores de produtividade. Será feita uma conexão com as trilhas profissionais que estão sendo estruturadas pelo Grupo de Trabalho de RH do CTQ com o Senai-SP para avançar na elaboração dos indicadores. Será providenciado tratamento confidencial das informações coletadas pelas empresas de catracas e validadas pelas construtoras, que enviarão os dados para o SindusCon-SP.

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