Brasil lidera a construção sustentável
Por Redação SindusCon-SP
Artigo de Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP
Na COP30, que está sendo realizada em Belém (PA), a construção civil brasileira tem muito a compartilhar com o mundo sobre o modelo construtivo desenvolvido no país. Como presidente do SindusCon-SP, entidade que representa as construtoras do Estado de São Paulo, tenho acompanhado de perto a profunda transformação que o setor vem conduzindo rumo a uma economia mais sustentável, eficiente e de baixo carbono.
Entre as iniciativas de destaque do SindusCon-SP está a CECarbon (Calculadora de Consumo Energético e Emissões de Carbono na Construção Civil), selecionada como case de sustentabilidade pela Sustainable Business COP (SB COP), iniciativa global de negócios sustentáveis que será lançada durante o evento, com o propósito de fortalecer a participação do setor privado nas negociações climáticas.
A ferramenta CECarbon possibilita a elaboração de inventários de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e do consumo energético das edificações, abrangendo todas as etapas do ciclo construtivo, da extração da matéria-prima e transporte até a execução da obra e entrega do empreendimento.
Os resultados da CECarbon demonstram que a construção de edifícios no Brasil já apresenta indicadores de emissões de carbono significativamente inferiores aos observados em países desenvolvidos e na América Latina. Por isso, é fundamental que as metas nacionais de redução de emissões considerem essa realidade, que posiciona o Brasil com pelo menos uma década de vantagem em relação às praticadas em outras partes do mundo.
Para se ter uma ideia, em relação às metas internacionais estabelecidas para 2035, as emissões médias nacionais atuais, com base nos inventários da CECarbon, estão em cerca de 220 quilos de gás carbônico equivalente por metro quadrado construído (kgCO₂e/m²), enquanto a meta europeia para o mesmo período é de 280 kgCO₂e/m². Desde seu lançamento, a plataforma do SindusCon-SP já superou 16 mil acessos, com mais de 900 obras cadastradas e 125 inventários completos, abrangendo 14 estados brasileiros e o Distrito Federal.
A CECarbon também permite a elaboração de inventários corporativos para empresas do setor da construção, auxiliando na elaboração de relatórios de sustentabilidade e atendendo às demandas de agentes financeiros, como a futura Taxonomia Sustentável Brasileira, que direcionará investimentos para empreendimentos mais sustentáveis.
Somos agentes de transformação urbana, recuperando áreas ociosas e reintegrando-as à malha urbana de São Paulo. De acordo com a Cetesb, 64% das áreas contaminadas reabilitadas no Estado contam com a participação direta das construtoras. Na área de logística reversa, os canteiros de obras têm avançado na gestão de resíduos, destinando mais de 90% deles para reciclagem. Somente pelo programa Prolata, em operação desde 2020, as construtoras associadas ao SindusCon-SP já encaminharam mais de 500 mil quilos de embalagens de aço para reciclagem na região da capital paulista.
Além disso, o setor desempenha papel relevante no replantio de árvores, com número de mudas muito superior ao de exemplares removidos, contribuindo para a redução das ilhas de calor e a melhoria da qualidade do ar. Em parceria com a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, o SindusCon-SP está implantando placas informativas nos canteiros, indicando a compensação ambiental realizada em cada obra.
Em seus 25 anos de atuação, o Comitê de Meio Ambiente (Comasp) do SindusCon-SP tem liderado as discussões sobre os principais temas ambientais relacionados à construção civil, capacitando empresas e profissionais, participando dos principais fóruns de desenvolvimento de tecnologias e normas técnicas, e contribuindo tecnicamente para políticas públicas. Em 2025, suas ações já impactaram 2 mil profissionais.
Além de todos esses esforços, o SindusCon-SP lançou, agora em novembro de 2025, a versão piloto da Calculadora de Eficiência Hídrica na Construção Civil (CEHídrica), ferramenta gratuita que permitirá a correta gestão do consumo de água nas edificações. A plataforma fornecerá indicadores de eficiência hídrica, mostrando quanto se consome de água por metro quadrado construído, além de permitir comparações entre tipologias e sistemas construtivos, contemplando produto, execução e uso das edificações. Com ela, a construção civil brasileira dá mais um passo rumo à liderança na gestão sustentável da água.
Hoje, os indicadores ambientais da construção brasileira superam padrões internacionais em diversos aspectos. Enquanto outros países ainda debatem caminhos, o nosso setor já entrega resultados. Cumprimos as exigências globais, mas é hora de o mundo reconhecer que também pode aprender com a experiência brasileira. A sustentabilidade na construção não é promessa, é prática diária, feita com planejamento, tecnologia e compromisso com o futuro.

Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP