ConstruCarta Conjuntura: PIB do terceiro trimestre confirma desaceleração

Redação SindusCon-SP

Por Redação SindusCon-SP

ConstruCarta Conjuntura: PIB do terceiro trimestre confirma desaceleração

PIB poderá revelar um resultado em 2024 bem diferente do esperado. Para bem ou para mal

Dados divulgados pelo IBGE revelaram que o PIB do terceiro trimestre teve alta de apenas 0,1% na comparação dessazonalizada com o trimestre imediatamente anterior. Apesar de bem modesto, esse resultado veio acima das projeções mais pessimistas, que sugeriam que haveria queda. Na perspectiva setorial, tanto serviços quanto a indústria tiveram alta de 0,6% na mesma base de comparação, enquanto a Agropecuária teve queda de 3,3%.

Frente a igual trimestre de 2022, a alta do PIB foi de 2%, registrando a segunda redução consecutiva nessa base de comparação. O mesmo movimento foi observado no resultado acumulado do ano, que chegou a setembro com alta de 3,2%.

De volta à comparação dessazonalizada com o segundo trimestre, os resultados do período julho-setembro trouxeram um perfil variado em termos dos componentes de demanda. Enquanto o consumo das famílias apresentou crescimento de 1,1%, o investimento (formação bruta de capital), que inclui a construção civil, mostrou avanço de 0,5%, enquanto exportações e importações variaram 3% e -2,1%, respectivamente. Com esses resultados, a formação bruta de capital atingiu o nível mais baixo do ano, o que sugere um perfil frágil de evolução do PIB no que se refere às perspectivas de sustentação do crescimento no longo prazo. Já o consumo das famílias teve a nona alta consecutiva na série com ajuste sazonal.

Vistos em conjunto, esses dados não deixam margem à dúvida quanto à desaceleração da atividade econômica que já vinha sendo captada por diferentes indicadores com séries mensais, tais como o IBC-Br, o volume de vendas no varejo e o volume de serviços.

Ainda que esse seja um retrato do passado, que não reflete a influência do ciclo de queda da Selic, inaugurado em agosto, os resultados do terceiro trimestre sugerem o esgotamento de alguns processos que, pelo menos até junho, estavam surpreendendo favoravelmente. O principal deles diz respeito à descompressão do setor de serviços, principalmente no caso de alguns segmentos voltados às famílias. Mantendo o foco na comparação dessazonalizada com o trimestre anterior, o segmento “outros serviços”, que havia contribuído bastante com o desempenho do PIB no primeiro trimestre, registrou alta de apenas 0,5%. Nessa mesma base de comparação, o comércio teve desempenho ainda pior: alta de apenas 0,3%.

O segundo elemento por trás da desaceleração se refere aos efeitos dos juros altos, cuja escalada havia se iniciado em março de 2021, sendo revertida somente em agosto passado. É possível creditar boa parte da desaceleração da formação bruta de capital aos efeitos defasados do ciclo de alta de juros.

A questão que se coloca é: até que ponto essa desaceleração indica que o país irá fechar o ano com PIB em queda, já comprometendo os resultados de 2024 por conta do “efeito-carregamento”. Nesse sentido, caso o PIB do quatro trimestre tenha crescimento zero frente ao anterior na série dessazonalizada, o efeito-carregamento será da ordem de 0,5%.

Desse modo, caso a série se mantenha constante ao longo de todo o ano de 2024 nos níveis do último trimestre de 2023, ainda sim haverá expansão de 0,5%. Tomando-se esse número como uma hipótese de referência, para que a economia apresente níveis mais expressivos de crescimento no próximo ano, será fundamental que o ciclo de queda de juros em curso exerça a influência esperada, sobretudo no que se refere ao investimento (formação bruta de capital). Inflação sob controle e expansão com melhora qualitativa do emprego também poderiam contribuir com a continuidade do avanço do consumo das famílias.

Infelizmente, há muito de esperança em um cenário como esse e, assim como surpreendeu positivamente no ano que está se encerrando, o PIB poderá novamente revelar um resultado em 2024 bem diferente do esperado. Para bem ou para mal.

Leia a íntegra da análise elaborada pela FGV/Ibre, especialmente para o SindusCon-SP aqui.

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