Construcarta Conjuntura: A bruma está se desfazendo no horizonte econômico

Redação SindusCon-SP

Por Redação SindusCon-SP

Construcarta Conjuntura: A bruma está se desfazendo no horizonte econômico

Até que se descubra a “bola de cristal”, as decisões econômicas serão tomadas com base em meras expectativas que, por vezes, não se realizam. Olhar para o horizonte e projetar futuros possíveis é tudo que temos. Porém, muitas vezes o grau de incerteza se eleva como se uma bruma densa de inverno dificultasse ainda mais a visão. E, nesses casos, o alcance das expectativas fica bem curto. Esse é o caso, sem dúvida, do contexto atual, marcado pela (suposta) fase final da pandemia de Covid-19.

Com a aceleração da vacinação, que tem conseguido imunizar de forma total ou parcial mais de 1 milhão de pessoas ao dia no Brasil, as projeções para o cenário macroeconômico de 2021 estão ficando mais claras. Sem dúvida, o fato de já estarmos em julho, contando com alguns dados importantes até maio, contribui com essa análise.

Um dos elementos que mais chama a atenção se refere à velha característica da economia brasileira de se recuperar de forma acelerada depois de momentos de queda forte da atividade. Isso ocorreu em ciclos anteriores e se repetiu entre março de 2020 e março de 2021, período em que o PIB registrou queda muito acentuada, mas já voltou a patamares semelhantes aos de antes da pandemia. Movimento muito semelhante aconteceu com o emprego formal, em que pesem as críticas ao novo Caged – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados. Com todos esses elementos, dificilmente o PIB do ano em curso terá variação inferior a 5%.

No front inflacionário, também já se consolidou o cenário de uma variação do IPCA bem acima do teto da meta do Banco Central e as expectativas estão se firmando em torno de pouco menos de 6,5% de alta em 2021. Em resposta, o Bacen tem sido obrigado a elevar os juros e, por conta disso, as projeções apontam para uma Selic próxima a 7% em dezembro. Uma alta expressiva, considerando que, no início do ano, essa taxa era de apenas 2%. Ainda assim, considerando a trajetória inflacionária, a Selic estaria apenas voltando discretamente a patamares positivos em termos reais, ou seja, estaria voltando à normalidade.

No curto prazo, é sabido que a taxa de câmbio responde inversamente à alta de juros. E, de fato, o dólar no Brasil já mudou de patamar, tendo recuado quase 10% desde março. Uma queda discreta, tendo em vista a alta acumulada desde o início de 2020. As incertezas quanto aos rumos da política monetária nos EUA e o clima político instável no Brasil explicam essa certa resistência da taxa de câmbio. Mas, ao mesmo tempo, ainda estamos no meio do caminho do ciclo de alta de juros. Seja como for, as expectativas para o final do ano apontam para uma taxa próxima a R$ 5,05 por dólar, o que pode ser benéfico para a inflação em geral e para os custos da construção em particular.

É claro que, diante desse cenário menos incerto e em fase de consolidação para 2021, os olhares se voltam para o próximo ano – pois o horizonte sempre se afasta na medida em que nos aproximamos dele. E, por certo, o clima eleitoral será decisivo para ditar os rumos da economia em 2022.

Leia a íntegra da Carta Conjuntura elaborada para o SindusCon-SP pela FGV, clicando aqui. 

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