Construção pode crescer 4,2% em 2021 

Rafael Marko

Por Rafael Marko

Construção pode crescer 4,2% em 2021 

A nova previsão para o aumento do PIB da Construção em 2021 é de 4,2%, enquanto o PIB nacional deve crescer 5,2%. Estas projeções do FGV/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) foram apresentadas por Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção daquela instituição.

As previsões foram anunciadas na reunião de Conjuntura do SindusCon-SP, em 3 de agosto, conduzida por Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia, com a participação de Odair Senra, presidente da entidade.

Em sua apresentação, Ana Maria mostrou que a confiança dos empresários de edificação melhorou, mas ainda não chegou ao nível de otimismo nem evolui tanto como nos demais segmentos de construção. O número de empresas de edificações mais confiantes tem aumentado nacionalmente, embora ainda sejam minoria. Ressalvou que o patamar moderadamente otimista do segmento de preparação de terrenos é uma boa sinalização antecedente.

A economista chamou a atenção de que, na Sondagem Nacional da Construção da FGV, o quesito de demanda insuficiente como principal fator limitador dos negócios das construtoras tem sido menos assinalado, enquanto o custo dos materiais de construção é o mais destacado pelo segundo mês consecutivo.

Além disso, mais de 40% das empresas de edificações previram aumentos nos preços previstos de seus produtos, indicando que serão absorvidos pela demanda. Aumentos reais desses preços estão acontecendo em São Paulo e Brasília, de acordo com o IGMI-R (Índice Geral de Preços do Mercado Imobiliário Residencial).

Em relação aos custos do setor, Ana Maria apontou os cerca de 34% de aumento dos preços dos materiais do INCC (Índice Nacional de Custos da Construção) em 12 meses, como sendo um recorde histórico. Previu que esta elevação ainda poderá persistir, embora não tão acelerada como ocorreu no segundo semestre do ano passado.

Segundo a economista, uma simulação preliminar com uma metodologia mais atualizada de apuração do INCC demonstrou que ele se situa em percentuais mais elevados no Estado de São Paulo.

A atividade da construção tem se elevado, conforme mostram os indicadores de aumento do emprego. Em São Paulo, boa parte dos novos postos de trabalho se situa no segmento de serviços da construção. Ana Maria destacou o recorde de financiamentos dos SFH (Sistema Financeiros de Habitação), puxados pelos créditos concedidos no âmbito do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo). E mostrou o aumento de vendas e, em menor grau, dos lançamentos no município de São Paulo.

Prudência 

Robson Gonçalves, professor da FGV, comentou em sua apresentação ser prudente ver com cautela as projeções de aumento de 5% do PIB para este ano. Afirmou que o avanço da vacinação tem provocado uma melhoria nos indicadores de confiança empresariais, em patamares acima dos registrados antes do início da pandemia, porém ainda não no nível de otimismo. Esta melhoria é mais influenciada pela expectativa de mais atividade e emprego no futuro do que pela avaliação em relação à situação atual da economia e das empresas.

Gonçalves enumerou as ameaças à retomada econômica: a crise energética que tende a impactar a inflação, com peso maior nas famílias de baixa renda; as expectativas crescentes de inflação, que se aproximam de 9% ao ano; uma terceira onda da pandemia e a proximidade do ano eleitoral de 2022.

Segundo o economista, ainda deve persistir uma especulação internacional com o preço das commodities, provocado pela combinação da taxa baixa de juros americana com a elevada demanda chinesa.

Eduardo Capobianco, representante do SindusCon-SP junto à Fiesp, afirmou que poderá haver uma onda de reajustes dos materiais de construção que não aumentaram seus preços nos últimos meses, como a brita.

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