Construção e Enel buscam solucionar atrasos nas ligações de energia
Por Rafael Marko
Reunião positiva foi realizada na sede da Fiesp
Para equacionar os atrasos nas ligações de energia elétrica em empreendimentos imobiliários e outras dificuldades enfrentadas no relacionamento com a Enel, o setor da construção realizou uma reunião bastante franca e transparente com os dirigentes da concessionária em 30 de janeiro, na Fiesp.
Abrindo o encontro, Silvio Valdissera, diretor-secretário da Fiesp, ressaltou a necessidade de discutir e buscar soluções para os problemas, comentando que a Federação mantém um diálogo produtivo com a Enel. Andrea Matarazzo, vice-presidente da Fiesp, comentou que, à época da privatização da Eletropaulo, em 1998, exercia o cargo de secretário de Energia do Estado de São Paulo.
Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP, destacou a boa relação mantida no âmbito do Grupo de Trabalho Enel, integrado por representantes de SindusCon-SP, Secovi-SP, Abrainc e colaboradores da Enel, e mencionou a experiência acumulada ao longo dos últimos anos em busca de soluções para as questões enfrentadas.
Atrasos prejudiciais
William Gilheta, coordenador do GT Enel pelo SindusCon-SP, fez uma apresentação demonstrando que os prazos regulados utilizados pela concessionária, que variam de 120 a 210 dias para a execução dos serviços, não atendem as expectativas de cronogramas das obras, e facilmente geram atrasos nas ligações definitivas, prejudicando a entrega das unidades habitacionais aos seus adquirentes, dificultando o repasse de financiamentos.
Também foram apontadas outras dificuldades, tais como: a Caixa Econômica Federal não faz o repasse de financiamento sem a ligação de energia definitiva; falta alinhamento entre os profissionais da concessionária que atuam na linha de frente e as orientações do corpo diretivo da concessionária; os procedimentos adotados pela Enel de interrupção dos prazos para a ligação de energia; e a falta de regra para a elaboração de relatório fotográfico sem previsão normativa pela Aneel, o que tem gerando exigências díspares de cada técnico.
Gilheta ressaltou a atuação e os estudos realizados pelo GT Enel, com foco na melhoria do ambiente de negócios entre as construtoras e a concessionária. Apontou, ainda, falhas no acompanhamento das obras, falta de interlocução com o departamento técnico da concessionária, e a adoção uniforme no procedimento de fiscalização na etapa final das ligações, o que tem tornado a relação desgastante.
Posicionamento da Enel
Antonio Scala, CEO da Enel Brasil, informou que a companhia vem se empenhando para resolver a situação, trabalhando em questões estruturais internas, aumento da capacidade de sua força operacional, um trabalho conjunto com parceiros externos e a melhoria das operações internas.
Scala exibiu uma apresentação institucional da concessionária, destacando a quantidade de clientes atendidos, a evolução da capacidade instalada (GW), os impactos de eventos climáticos extremos, o plano de investimentos, o aumento do quadro próprio de colaboradores e a digitalização da rede, entre outros pontos.
Marcos Vinícius Montesano Floresta, head de Planning & Management da Enel São Paulo, apresentou o plano de ações para melhoria dos processos de obras e projetos da concessionária, que contará com um projeto-piloto inicial em parceria com a Cyrela. Na ocasião, também foram apresentadas outras sugestões e contribuições visando ao aprimoramento dos processos e ao avanço de soluções de curto prazo.
Ao final do encontro, ficou deliberada a realização de uma nova reunião entre as entidades e a concessionária, em 25 de fevereiro, na Fiesp.
Também participaram da reunião, pela Fiesp: Felipe Hummel Bittencourt, diretor adjunto do Departamento da Indústria de Construção e Mineração (Deconcic); Renato Corona, superintendente de Departamentos, e André Rebelo, assessor da Presidência; pelo SindusCon-SP: Rosilene Carvalho dos Santos, coordenadora Jurídica, e Filemon Lima, gerente de Relações Institucionais; pela concessionária: Ronaldo Souza Camargo, head Institucional Enel Brasil; Tatiana Tinoco, head Institucional Enel São Paulo; Tatiana Borges Celani, head Comercial Enel São Paulo; e Marcello Teixeira, head de Clientes Corporativos e Governo Enel São Paulo; pelo Secovi-SP: Carlos Borges, vice-presidente de Tecnologia e Sustentabilidade, e Paulo Rewald, diretor de Normalização; pela Abrainc: Cícero Araújo, vice-presidente de Relações Institucionais e Governamentais, e Marcia Bozza Haddad, gerente de Projetos.
Com as colaborações de Rosilene Carvalho dos Santos e Filemon Lima