Construção cobra melhorias da Enel no atendimento às obras
Por Rafael Montagnini
SindusCon-SP e Secovi-SP apontam falhas recorrentes à concessionária
Membros do SindusCon-SP e do Secovi-SP participaram, em 21 de janeiro, de reunião na sede do SindusCon-SP com uma comitiva de colaboradores da Enel, com o objetivo de acompanhar o andamento das tratativas entre construtoras e incorporadoras e a concessionária de energia elétrica.
O presidente do SindusCon-SP, Yorki Estefan, abriu a primeira reunião de 2026 do Grupo de Trabalho (GT) Enel, destacando a importância do diálogo contínuo para a normalização das ligações elétricas nos empreendimentos e a necessidade de avanços concretos nas demandas do setor.
Na sequência, William Gilheta, coordenador do grupo de trabalho responsável pelo diálogo com a concessionária, afirmou que algumas poucas demandas apresentaram avanços, enquanto outras registraram retrocessos. Segundo ele, nos últimos meses houve uma piora significativa no atendimento, especialmente nos processos de aprovação de projetos e na execução das ligações elétricas.
De acordo com o coordenador, a comunicação entre as construtoras e a concessionária é falha. “Em um dia fala-se com um profissional, no outro com outro que não tem conhecimento do andamento do processo”, afirmou, ressaltando a insatisfação generalizada com a qualidade do atendimento prestado ao setor da construção..
Outro ponto crítico abordado foi a dificuldade na liberação dos processos. Segundo Gilheta, mesmo após o cumprimento de todas as exigências solicitadas pela empresa, são recorrentes os problemas na etapa de instalação. “Quando chega o momento da ligação, o serviço é executado de forma inadequada, gerando retrabalho e sucessivas refações”, disse. Para ele, o cenário revela falhas de qualidade técnica e de acompanhamento dos serviços realizados.
Gilheta também ressaltou a necessidade de a concessionária contar com uma estrutura mais robusta para atender à demanda do setor. “As construtoras precisam de um atendimento estruturado e consistente por parte da empresa”, afirmou. Como exemplos positivos, citou o trabalho de instalação da Comgás e as vistorias realizadas pelo Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, sugerindo que a Enel adotasse boas práticas semelhantes.
Durante a reunião, o diretor de Normalização do Secovi-SP, Paulo Rewald, reforçou as reclamações recebidas diariamente pela entidade. Segundo ele, grande parte das queixas está relacionada à qualidade técnica das instalações. “Não é aceitável aguardar uma ou duas semanas para obter uma devolutiva”, afirmou.
Paulo Rewald também destacou a dificuldade de acesso às áreas técnicas da concessionária. “Estamos há cinco anos tendo as mesmas conversas. Não conseguimos agendar reuniões com os técnicos. Quando um projeto é reprovado mais de uma vez pelo mesmo profissional, é fundamental que haja uma reunião direta para esclarecimento dos pontos”, concluiu.
Na sequência, Yorki Estefan passou a palavra aos representantes da Enel. Em resposta às colocações, Marcelo Teixeira, head B2B e B2G da empresa, explicou que os problemas causados pelas fortes ventanias registradas em dezembro trouxeram dificuldades significativas à concessionária, que precisou direcionar esforços para o atendimento das situações emergenciais. Segundo ele, nesse contexto, algumas demandas acabaram ficando em segundo plano. O executivo também destacou o aumento do número de novos clientes conectados à rede da empresa.
Marcelo Teixeira afirmou ainda que a empresa levará alguns meses para melhorar o atendimento às obras e apresentou um pipeline com o status das solicitações: atualmente, são 675 demandas registradas, das quais 65% estão em andamento dentro do prazo e 19% encontram-se paralisadas, aguardando a entrega de documentação ou ajustes por parte dos clientes.
Durante a apresentação do planejamento para 2026, José Martins, head da Técnica da Enel, informou que pretende criar um modelo técnico único para ligações provisórias de energia em obras. Atualmente, um mesmo técnico pode analisar demandas muito distintas. A proposta é separar equipes e fluxos conforme o tipo de cliente e atividade, como construção civil, indústria e comércio. A empresa também informou que já estruturou, para este ano, um fluxo específico para autoconstrução.
Outra mudança apresentada diz respeito à lógica de análise dos projetos. Antes, projetos com erro eram reprovados; a nova proposta é que os processos sejam paralisados, e não reprovados, com comunicação clara ao cliente para os ajustes necessários. Também foi anunciada a criação de uma equipe dedicada para esclarecer dúvidas técnicas antes ou durante o andamento dos processos.
Na sequência, Fabiana Passos, head B2B da Enel, afirmou que a empresa não tem qualquer intenção de abandonar a concessão, reforçando o compromisso da companhia com a continuidade dos serviços e com o atendimento ao setor.
Como encaminhamento final, as construtoras solicitaram que os processos deixem de ser realizados exclusivamente em formato PDF e passem a adotar o modelo de design review em DWF, ferramenta gratuita já utilizada pela Prefeitura e por outros órgãos públicos.
“Saímos dessa reunião otimistas, mas estaremos vigilantes para que o que foi conversado aqui seja efetivamente realizado. Somos parceiros e todos ganham com isso”, afirmou William Gilheta.
Também participaram da reunião, representando o SindusCon-SP e o Secovi-SP, Paulo Mingione, Luiz Canhoni, Victor Fischmann, Daniele Sales, Karolina Ferreira, Beatriz Leonci, Beatriz Santana, Mariana Padua, Gustavo Trombeli, Eder Bocutti, Thiago Moraes, Isabela Sanchez e Lívia Gomes. Pela Enel, estiveram presentes Amanda Cruz, Gisele Moniz, Leonardo Rossoni e Rodrigo Garrido.