Como enfrentar desafios de sistemas prediais em edifícios multiuso 

Rafael Marko

Por Rafael Marko

Como enfrentar desafios de sistemas prediais em edifícios multiuso 

Os desafios complexos para a instalação dos sistemas prediais em empreendimentos de uso misto e como enfrentá-los foram o tema do 17º Seminário de Tecnologia de Sistemas Prediais do SindusCon-SP, em 27 de outubro. O evento on-line contou com 389 acessos, dos quais 122 simultâneos, e pode ser visto no Canal do SindusCon-SP no Youtube..

O seminário foi aberto Renato Genioli Jr., vice-presidente de Tecnologia e Qualidade do SindusCon-SP, que destacou a necessidade de arquitetos pensarem seus projetos de modo a permitir que os projetistas de instalações possam trabalhar adequadamente. Os debates foram mediados por Renato Soffiatti, do Grupo de Trabalho de Sistemas Prediais do Comitê de Tecnologia e Qualidade (CTQ) da entidade.

Cogeração qualificada 

Fabrício Marti, gerente de Vendas da Comgás, e Ronaldo Andreos, gerente de Geração Distribuída daquela companhia, apresentaram a solução de cogeração qualificada (combinação de calor e energia), tendo como fonte o gás natural. O equipamento combina eficiência energética e controle dos custos, possibilitando tanto geração de eletricidade para os apartamentos e as áreas comuns, como energia térmica, para o aquecimento central ou da água da piscina. Entre os benefícios, há redução das contas de água e de energia elétrica, e redução dos gases de efeito estufa.

No edifício Ybyrá, em construção em São Paulo, a previsão é de atendimento de 100% da demanda térmica, com economia total para o condomínio estimada de 15% (R$ 70 mil/ano) e redução de 26% de emissões de gás carbônico (52 ton/ano). No sistema instalado no edifício Ville des Portes, em São Paulo, a eletricidade irá para 100% das áreas comuns e haverá abatimento parcial da tarifa nos apartamentos, economizando para o condomínio R$ 180 mil/ano e reduzindo as emissões em 21% (78 ton/ano).

A Atlas Schindler, por sua vez, exibiu um vídeo, com destaque para a fabricação de elevadores em sua indústria em Londrina, e os benefícios de sua linha de elevadores modulares.

Dores do incorporador 

Genoli, Andreos e Marti

Ricardo Monteiro Ferreira, diretor de Engenharia da Setin Incorporadora, abordou as preocupações do incorporador no empreendimento multiuso – residencial e não residencial. Segundo ele, o principal desafio é atender aos desejos de investidores e compradores, e às exigências das diversas legislações e normas técnicas.

Ferreira mostrou diversos empreendimentos incorporados por sua empresa, com dificuldades crescentes para a instalação adequada de sistemas prediais independentes, para atender a legislação paulistana. Exigem-se soluções complexas nos condomínios, especialmente em edifícios altos, que combinam unidades residenciais, serviços de moradias, estúdios, lajes corporativas e unidades comerciais, com fachadas ativas, doações de calçadas, inexistência ou pouco recuo, prumadas não alinhadas e lazer distribuído em diversos pavimentos, estruturas com vigas de transição, elevadores no meio da torre sem sequência, sistema de combate a incêndio mais restritivo. É preciso compatibilizar tudo isso e ainda oferecer, ao usuário final, facilidade de operação na gestão de equipamentos mais complexos e uma manutenção com baixos custos operacionais.

Para Ferreira, a superação desses desafios requer uma equipe técnica participativa em todas as etapas do empreendimento, desde a concepção do projeto, com a participação de outros players. Requer-se maior experiência de coordenadores e compatibilizadores de projetos. A gestão de suprimentos deve ser antecipada concomitantemente com a idealização da edificação e durante a maturidade dos projetos executivos. E o incorporador deve ficar atento ao uso final e ao custo de operação.

Pontos de atenção 

Paulo Luciano Rewald, diretor da Rewald Engenharia, detalhou os pontos de atenção nos projetos de hidráulica, elétrica e incêndios e também nos processos da Enel e da Sabesp nos empreendimentos de uso misto.

Nos sistemas hidráulicos, comentou, é preciso um planejamento detalhado para superar desafios como a quantidade absurda de desvios para distribuição de água entre os espaços de diversos usos, e a falta de recuo obrigando a instalação de caixas de entrada e saída de água e de retardo dentro do edifício.

Nas colunas de gás com prumadas que passariam por dentro de conjuntos comerciais, uma solução é descer a tubulação na fachada. Em relação aos sistemas de água quente e fria, relatou um trabalho feito junto à Sabesp, que acabou por permitir hidrômetros e instalações separadas para a cobrança de tarifas distintas, ou um único hidrômetro com medição individual, com vários cavaletes.

Rewald também mostrou um trabalho feito junto à Enel para permitir várias soluções, como a de uma única entrada e ligações independentes para as lojas, concentrando toda a medição em um único ambiente. Na segurança contra incêndio, outro trabalho foi feito junto ao comando do Corpo de Bombeiros, com especificações sobre casos de dispensa de instalação de detectores de fumaça e de sprinklers. Aqui também há necessidade de atentar para a normatização das saídas de emergência.

Aquecimento de água 

Genioli e Chaguri Jr.

José Jorge Chaguri Júnior, diretor da Chaguri Consultoria e Projetos, elencou os diversos desafios à elaboração de projetos de sistemas de aquecimento de água nos empreendimentos multiuso, tais como: edificações com muitos apartamentos pequenos, cada vez mais altas; arquiteturas inovadoras; uso de sistemas de cogeração; previsão de sistema de aquecimento solar, competindo com a localização de piscina no teto; medição de água quente distante do ponto  medição; perda de água como chegar em grandes trajetos; perda de água pelo tempo de espera para aquecimento; perda de energia para manter esse sistema sempre aquecido.

Segundo Chaguri Jr., a gestão eficiente dos sistemas, dos espaços e dos consumos é fundamental para a operação das edificações. A escolha das opções precisa estar alinhada com o desejo do consumidor, enfrentando-se o desafio de proporcionar mesmas vazões, temperaturas e consumos, em sistemas independentes que requerem desvios. Ele não recomendou placas solares na fachada, e sim distribuídas em diversos andares. Outra solução é posicionar os aquecedores a gás fora da área construída. O comissionamento merece atenção, a recomendação é validá-lo e testá-lo antes de sua entrega ao usuário

Estratégias da boa coordenação

Genioli e Addor

Marco Addor, sócio diretor da Addor & Associados, fez diversas recomendações para a coordenação do projeto: colocar os consultores para trabalhar junto com os arquitetos; conhecer a fundo as disciplinas e seus limites; planejar e gerar cronograma com controles para evitar atrasos; ter liderança para negociar e articular as diversas possibilidades, mantendo a harmonia do projeto; pensar em definir bem o produto, elaborar o projeto, validar protótipo criado em BIM e na entrada em produção.

Em relação à edificação, Addor propôs: criar fichas e planilhas para o empreendimento e cada um de seus usos; sempre que possível contratar todos os projetistas logo após a definição do produto; para os sistemas prediais, ter foco nos projetistas e consultores das disciplinas; para cada uma delas, validar diretrizes, locação dos espaços técnicos, e começar a fazer a locação de shafts, prumadas e desvios. A cada mudança de uso, é preciso analisar a estrutura, a fim de minimizar problemas de desvios. Com uso de BIM, evitam-se colisões e retrabalhos, assim como incoerências entre os modelos e a documentação.

O arquiteto também recomendou iniciar a modelagem sempre com a segurança da definição do produto e as fichas validadas; simplificar ao máximo as conexões entre os pavimentos; disponibilizar tempo e recursos físicos e financeiros na análise e resolução de problemas; usar as tecnologias de construção, gestão e projetos adequados; utilizar mais as simulações proporcionadas pelo BIM, minimizando retrabalho e custos desnecessários.

O seminário teve o patrocínio de Atlas Schindler, Comgás e Gerdau, com o apoio institucional do Estadão.

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