Comasp debate atualizações em resíduos

Rafael Marko

Por Rafael Marko

Comasp debate atualizações em resíduos

Webinar mostrou inovações e avanços

Atualizações normativas, inovações e avanços no gerenciamento dos resíduos da construção foram apresentados no webinar Gestão de Resíduos da Construção Civil, realizado pelo Comasp (Comitê de Meio Ambiente) do SindusCon-SP, em 29 de setembro, obtendo mais de 450 visualizações.

Ao abrir o evento, Francisco Antunes de Vasconcellos Neto, vice-presidente do SindusCon-SP, afirmou que o Comasp foi o pioneiro no tema dos resíduos da construção, e salientou a necessidade de se buscar atualizações no tema, contribuindo para a logística reversa e a economia circular. Agradeceu à Cetesb, às construtoras, aos patrocinadores e aos parceiros.

Lilian Sarrouf, coordenadora técnica do Comasp e superintendente do Comitê Brasileiro da Construção Civil da Associação Brasileira de Normas Técnicas, mediou o evento.

Leonardo Correa Franca Morais, assessor da Diretoria de Controle e Licenciamento Ambiental da Cetesb, mostrou as obrigações relativas ao tema, como o Cadri (Certificado de Movimentação de Resíduos de Interesse Ambiental) e as resoluções da Cetesb a respeito. Listou os resíduos de interesse ambiental. Falou sobre o MTR (Manifesto de Transporte de Resíduos), gerado dentro do Sigor (Sistema Estadual de Gerenciamento de Resíduos), o manual do usuário, as atividades sujeitas a sua utilização (como as grandes geradoras de resíduos da construção civil), a Declaração de Movimentação de Resíduos (DMR) e o Certificado de Destinação Final (CDF), bem como as situações passíveis de autuação.

Morais abordou a documentação em relação à destinação de solo excedente, tanto para solo limpo como para solo contaminado. Pontuou critérios em relação ao que é considerado solo limpo e a exigência de segregação de resíduos. E discorreu sobre a ABNT NBR 10004/24, de classificação de resíduos sólidos, que passará a vigorar em 1/1/2027, bem como a Resolução de Diretoria a respeito. Recomendou às empresas geradoras de resíduos conhecerem essa norma, verificarem os códigos de enquadramento e classificação dos resíduos.

Thaís Laporta, gerente comercial da Nova Ambiental, que atua em remediação ambiental e tratamento de resíduos perigosos, mostrou os produtos da blendagem com resíduos da construção, o Combustível Derivado de Resíduo Perigoso e a Matéria Prima Derivada de Resíduos Perigoso, utilizados na fabricação de cimento. Falou das legislações a respeito do tema, o tratamento dos resíduos via incineração da empresa, com o respectivo tratamento dos gases e resíduos resultantes, e a dessorção térmica, em fase de implementação, que pode recuperar solos.

Seguiu-se uma sessão de esclarecimentos sobre as apresentações feitas, tendo como moderadora Christiane Menegario, gerente geral de Legalização e Meio Ambiente da Cyrela. Leonardo Morais tirou dúvidas sobre a exigência do Cadri e MTR/DMR, orientando sobre seu preenchimento de forma correta. Taís explicou os procedimentos para a definição do tratamento que a empresa dará aos resíduos.

Fernando Fogli, diretor Técnico Ambiental do Sinduscon-MG, discorreu sobre o texto-base proposto para a elaboração da Norma Técnica de gerenciamento dos resíduos da construção. Explicou que lacunas serão preenchidas pela norma, como o plano de gerenciamento de resíduos, a destinação final, a responsabilidade compartilhada.

Logística reversa

O tema Logística Reversa de PVC: Transformando Resíduos em Redução de Carbono foi abordado por Glaucia Faria, gerente de Responsabilidade Social e Sustentabilidade para as Américas da Amanco Wavin. Apresentou o programa de logística reversa em parceria com o SindusCon-SP:  tubos e conexões de PVC pós consumo, de qualquer marca, são retiradas gratuitamente dos canteiros, processadas e recicladas, para serem utilizadas na fabricação de parte dos novos produtos da empresa, dentro das normas da ABNT e com redução das emissões de carbono – o tubo multicamada e o eletroduto. As empresas que fizerem adesão ao projeto, após um ano receberá um certificado de redução de emissões de carbono. Para mais informações e adesão acesse aqui.

Marcelo Uchôa Alves, coordenador de Serviços Técnicos Brasil e Cone Sul Brasil da Saint-Gobain, falou sobre Recover Dry – Circularidade na Prática: Transformando Concreto Devolvido em Valor. O Recover Dry é um aditivo de alta absorção para concreto retornado, desenvolvido para secar e enrijecer rapidamente o concreto fresco, convertendo-o em agregados que podem ser utilizados como material base para substituir uma fração do concreto em estradas, aterro compactado ou como substituto parcial de agregado em concreto novo, resultando em economia de custos, conservação de recursos naturais e diminuição de emissões.

Seguiram-se debates e esclarecimento das dúvidas com os palestrantes, tendo como moderadora Lilian Sarrouf, com a participação de Fábio Nunes da Silva, consultor técnico na Saint Gobain, e de Christiane Menegario. Leonardo Morais explicou as diferenças e interações entre o licenciamento da Cetesb e do Graprohab (Grupo de Análise e Aprovação de Projetos Habitacionais). Informou que dúvidas gerais podem ser esclarecidas pelo canal Fale Conosco da Cetesb. Fernando Fogli orientou a sempre se buscarem transportadores legalizados para a destinação correta dos resíduos. Marcelo Uchoa e Fabio Nunes reforçaram que a indústria tem trabalhado para levar ao mercado soluções sustentáveis.

Lilian relatou que um manual de gestão de resíduos está disponível para download no site do SindusCon-SP, e que a entidade está à disposição do setor para encaminhar dúvidas à Cetesb. Citou o projeto do sindicato com a Prolata, para a reciclagem de embalagens de aço pós consumo, e as calculadoras CECarbon e CEHídrica, que podem ser acessadas aqui.

Assista ao webinar, clicando aqui.

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