A ascensão das mulheres na construção civil

Redação SindusCon-SP

Por Redação SindusCon-SP

A ascensão das mulheres na construção civil

Leia artigo de Rafael Luis Coelho, diretor da Regional São José do Rio Preto

A construção civil, tradicionalmente dominada por homens, vem se transformando com o crescente protagonismo feminino. Essa mudança amplia a diversidade, ameniza a escassez de mão de obra qualificada e fortalece a independência financeira, rompendo antigos tabus.

Diversas iniciativas de integração têm impulsionado essa revolução. Nas obras, as mulheres se destacam pelo cuidado e atenção aos detalhes, resultando em acabamentos mais qualificados. Atualmente, segundo dados do setor, representam cerca de 12% da força de trabalho, atuando como engenheiras, arquitetas, pintoras, pedreiras, eletricistas e em outras especialidades. Em áreas como projetos, planejamento, orçamento e administração, aproximadamente 22,5% dos profissionais são mulheres; já nas atividades de campo, essa participação varia entre 9,2% e 10,9%, demonstrando a necessidade de ampliar sua presença na execução das obras.

Pesquisas apontam evolução significativa, ao longo dos anos, na participação feminina nas profissões de engenharia. Há um destaque para a região Norte do Brasil, a proporção de engenheiras com registros ativos nos CREAs varia de 22% a 30%, conforme o estado, enquanto em outras regiões do país, os percentuais oscilam entre 15% e 19%. Segundo Resumo Técnico de Cursos Superiores, do Ministério da Educação, em 2023 as mulheres representaram, em média, 29,4% dos cursos de engenharia, o que tende a elevar gradativamente o número de profissionais femininas ativas com esta formação.

O Painel RAIS – MTE de 2023 registrou um aumento de 184% nas mulheres com carteira assinada na construção desde 2006. Já o CAGED – MTE de 2024 revela que 20,2% das 110.921 vagas formais criadas em 2023 foram ocupadas por mulheres – um avanço expressivo comparado a 14,6% em 2022 e 12,2% em 2021.

Apesar dos progressos, os desafios persistem. Em muitos canteiros, práticas de assédio moral e ações machistas ainda prevalecem, exigindo que as mulheres coloquem limites para exercer o seu trabalho e que as empresas promovam a conscientização. Incentivos, como salários competitivos, capacitação com cursos profissionalizantes e políticas de inclusão, são fundamentais para ampliar o ingresso de mulheres.

Programas como “Elas na Construção” do Sebrae – SP, “Mulheres à Obra” da ABRAINC (Associação das Incorporadoras), o projeto “Mão na Massa” no RJ, a ONG Mulheres em Construção no RS, projetos da CBIC (Câmara da Indústria da Construção) e ações contínuas do SindusCon-SP (Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo) desempenham papel vital no estímulo e na criação de oportunidades reais de trabalho para a mulher.

Essa trajetória de transformação projeta um futuro promissor, onde o fortalecimento de políticas inclusivas, a ampliação da capacitação profissional e a continuidade de campanhas pela igualdade de gênero, sem distinção no tratamento, farão com que cada vez mais mulheres ocupem espaços estratégicos e de produção, tornando o setor mais diverso e equitativo.

Rafael Luis Coelho – [email protected]

Diretor Regional do SindusCon-SP de São José do Rio Preto

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