Aridan aponta caminhos para elevar a produtividade

Rafael Marko

Por Rafael Marko

Aridan aponta caminhos para elevar a produtividade

Palestra ocorreu na Universidade Corporativa SindusCon-SP

Há muitas dificuldades para o incremento da produtividade na construção, porém também há uma série de oportunidades de tornar mais produtivos o planejamento, a gestão e a execução das obras. Esta foi a mensagem transmitida por Paulo Aridan, coordenador do Grupo de Trabalho (GT) de Gestão e Produtividade do Comitê de Tecnologia e Qualidade (CTQ) deste sindicato, na aula inaugural deste ano da Universidade Corporativa SindusCon-SP. O evento contou com a participação de Roberto Pastor, diretor de Educação do sindicato e coordenador do CTQ.

“Nosso desafio é produzir mais metros quadrados com menos homens/hora”, afirmou o palestrante. Mostrou um estudo da FGV de 2025, segundo o qual nos últimos 15 anos o setor da construção teria perdido cerca de 2% de produtividade, mas o segmento de edificações ganhado quase 10%. Outros dados que ele coletou mostram empiricamente, na cidade de São Paulo, um incremento de cerca de 30% de produtividade da edificação residencial, entre 2013 e 2023. Relatou que no CTQ está em desenvolvimento uma metodologia para avaliação da produtividade das empresas.

Aridan comentou o diagnóstico realizado pelo GT, atualizado em 2025, com quatro vetores que afetam a produtividade: o país, a indústria, a empresa e a obra.

No vetor país, elencou como fatores de impacto, que travam o incremento da produtividade, o custo dos juros, o marco regulatório, a questão sindical, a baixa qualidade da educação, a legislação trabalhista, a inexistência de uma política de investimentos em equipamentos, a carga tributária, a burocracia para importação e as concessionárias de serviços públicos.

No vetor indústria da construção, figuram a baixa articulação do setor, a fragmentação da sua representação, a falta de padronização, uma fraca auto-regulamentação, barreiras de entradas a novos fornecedores, o baixo investimento em pesquisa, a pouca interação com o meio acadêmico, normatizações restritivas, falta de valorização da carreira dos profissionais das obras e o baixo investimento em capacitação da mão de obra.

Já no vetor empresa, os fatores de impacto sobre a produtividade são gestão, modelos de contratação e relação com fornecedores, modelos de acompanhamento muito marcados por um viés financeiro, baixo investimento em TI, remuneração que desestimula o desenvolvimento profissional e a retenção de talentos, e gestão do conhecimento adquirido.

No vetor obra, figuram dificuldades em capacitação de projetistas, escopo e qualidade da informação em projetos, fraca visão sistêmica, fala de cultura de pré-engenharia, ineficácia do acompanhamento por indicadores e dados confiáveis, e informalidade na comunicação.

Oportunidades

Para Aridan, o momento oferece oportunidades em gestão, como padronização de projetos, uso de BIM, mecanização da movimentação de materiais e pessoas nas obras, racionalização nos processos de fornecimento de suprimentos, melhoras na administração dos canteiros, áreas de vivências, controle de estoque, digitalização da construção e IoT e IA.

Processos podem ser racionalizados, utilizar-se pré-fabricados, impulsionar a construção modular, usar equipamentos como robôs e reaprender a fazer a conta global dos serviços. A mão de obra pode ser treinada, as carreiras valorizadas, atrair-se a nova geração e se tornar o trabalho menos físico.

Também é possível – prosseguiu – rever as remunerações, implementar programas de ganho de produtividade, desenvolver uma visão sistêmica e de montagem, difundir sistemas engenheirados, kits, pré-montados e construção off-site.

O palestrante ainda mostrou diversos cases de modernização dos processos produtivos nas obras e de construção modular, bem como soluções encontradas para superar dificuldades práticas ao incremento da produtividade.

De acordo com Aridan, nos próximos anos será necessário continuar o processo de racionalização da gestão e da produção, intensificar a industrialização, capacitar arquitetos, engenheiros e técnicos, digitalizar a construção, tornar o trabalho e obra mais atrativo para a nova geração e transformar o canteiro em linha de montagem.

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